Holanda: Governo cai por divergências sobre tropas no Afeganistão

20 de fevereiro 2010 - 16:14
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Wouter Bos, líder do PvdA, e Jan Peter Balkenende (à direita na foto), actual primeiro-ministro da HolandaA coligação de três partidos tinha assentado a retirada das tropas entre Agosto e Dezembro de 2010. A Nato solicitou o prolongamento por um ano, os EUA pressionaram e o governo caiu.

O governo holandês era composto por três partidos, CDA (democratas cristãos), PvdA (trabalhistas) e CU (união cristã - calvinistas), sendo o primeiro-ministro (Jan Peter Balkenende) do CDA. A coligação foi constituída após as eleições de Novembro de 2006 e o governo tomou posse em Fevereiro de 2007.

A Holanda tem 1950 militares no Afeganistão, desde Agosto de 2006, na região de Uruzgan no sul, que actualmente dão formação à polícia afegã. A coligação, quando foi constituída, acordou que as tropas holandeses retirariam do Afeganistão entre Agosto e Dezembro de 2010, já que o PvdA não apoiava a presença do contingente militar holandês no Afeganistão.

No passado dia 4 de Fevereiro, o secretário-geral da Nato, Anders Rasmussen, pediu que a Holanda mantivesse o seu contingente militar no Afeganistão por mais um ano. Os Estados Unidos pressionaram o governo, nomeadamente o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros, no mesmo sentido.

Porém, os trabalhistas do PvdA não aceitaram a alteração e o governo caiu, prevendo-se a antecipação das eleições, que eram para se realizar em Março de 2011, para provavelmente para Maio próximo.

Para o primeiro-ministro, para o seu partido CDA e os seus aliados da CU, continuar no Afeganistão era um problema de "responsabilidade internacional". O líder do PvdA, vice-primeiro ministro e ministro das Finanças, Wouter Bos declarou: "Os nossos soldados foram para o Afeganistão crendo que regressariam em finais de 2010. Os nossos sócios no Governo não quiseram respeitar esse acordo e por isso decidimos dimitir-nos".

Na verdade, a demissão parece reflectir também uma tentativa do PvdA de resistir à queda de popularidade do executivo e, em particular, à sua baixa drástica nas sondagens, quando se vão realizar brevemente eleições municipais e estavam marcadas legislativas para Março de 2011. Além disso, 66% da população está contra a participação de tropas holandesas no Afeganistão.

Actualmente, na Holanda existem 11 partidos com representação parlamentar, e cinco deles marcam a luta política: CDA (com 41 deputados e 21 senadores), PvdA (33 deputados, 14 senadores), SP (partido socialista de esquerda, que integra o GUE/NGL no parlamento europeu, com 25 deputados e 12 senadores), VVD (liberais conservadores com 22 deputados e 14 senadores) e PVV (extrema direita xenófoba e islamófoba com 9 deputados).

A líder parlamentar do SP, Agnès Kant, considerou que o governo já não conseguia governar "eram as querelas que governavam", sublinhando que está "contente que os eleitores tenham agora a palavra, porque estamos diante de escolhas difíceis".

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