Grécia: 87 prisões, governo discute estado de excepção

09 de dezembro 2008 - 11:41
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Manifestante atira uma bomba incendiária para uma agência bancária em Atenas, na noite de 8/12/2008. Foto EPA/ORESTIS PANAGIOTOUA polícia grega prendeu 87 jovens na noite de segunda e na madrugada de terça-feira, em confrontos no centro de Atenas que provocaram a hospitalização de pelo menos dez pessoas e ferimentos em 12 polícias. Segundo o embaixador de Portugal em Atenas, ouvido pela TSF, esta foi a noite mais violenta desde que começaram os protestos devido à morte do jovem Alexandros Grigoropulos. Segundo o diário To Bima, o governo está a estudar a possibilidade de decretar estado de excepção.

Três dias de confrontos de rua entre jovens e a polícia tiveram, até agora, um saldo de 176 prisões, 40 carros queimados e uma dezena de edifícios incendiados parcialmente. A actual revolta popular já é considerada a mais grave dos últimos 35 anos. Em Novembro de 1973, um levantamento estudantil e popular na universidade politécnica de Atenas - que é hoje mais uma vez um dos centros da mobilização - foi brutalmente esmagado mas seria decisivo para o fim da ditadura militar que governava o país e que caiu meses depois.

Hoje, o governo conservador de Costas Caramanlis parece ter perdido o controlo da situação. A prisão de dois polícias, um pela autoria do disparo que vitimou o jovem Alexandros Grigoropulos, de 15 anos, e outro por cumplicidade, não foi suficiente para acalmar os ânimos. Na verdade, a morte do jovem parece ter sido a gota de água que fez extravasar as tensões há muito acumuladas contra um governo que tem sido abalado por sucessivos casos de corrupção e pelas deficiências do modelo económico que castigam particularmente os jovens. O desemprego juvenil cifra-se em 22,9%, o pior de toda a União Europeia.

George Papandreou, o líder do socialista Pasok, acusou os Novos Democratas - o partido no poder - de terem perdido o contacto com a realidade: "Todo o país, cada cidadão está exasperado com um governo que não compreende os problemas reais do povo. Todos estão a dizer que já chega".

Nesta teça-feira realiza-se o funeral do jovem Grigoropulos e estão convocadas duas manifestações: uma do Pasok e outra de professores e pais de alunos da universidade. Para quarta, os sindicatos convocaram uma greve geral em protesto contra a reforma do sistema de pensões e a crise económica.

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