A missão Phoenix da NASA que aterrou esta semana com sucesso na superfície de Marte é uma das muitas missões que preparam uma futura viagem tripulada de exploração do planeta Marte.
Artigo de Rui Curado Silva, investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra.
O objectivo da Phoenix é responder a três perguntas:
1) Poderá o árctico marciano oferecer condições necessárias para a existência de vida? 2) Qual o ciclo da água na zona de aterragem?
3) Qual a influência das regiões polares marcianas no clima do planeta?
A Phoenix faz parte do programa de exploração de Marte da NASA, mas a Rússia e a ESA desenvolvem os seus próprios programas de exploração planetária. Esses programas envolvem vários tipos de missões, que podem ser missões de observação de Marte, como a missão Mars Express da ESA, ou uma missão de exploração como a Phoenix e podem ainda ser apenas experiências realizadas no nosso próprio planeta, como foi o caso das experiências Biosfera 1 e 2, realizadas nos anos 90, em que se estudou o comportamento de um conjunto de investigadores encerrado numa estufa que simulava o hipotético ambiente de colonização do planeta Marte. A primeira experiência durou dois anos em que a relação entre os vários membros da equipa se foi degradando consideravelmente e a segunda experiência Biosfera durou pouco mais de um mês, após conflitos violentos entre os participantes da experiência. Curiosamente, o resultado destas duas experiências mostrou que o comportamento humano poderá ser bem mais problemático durante uma hipotética missão tripulada a Marte, que deverá durar pelos menos cerca de 4 anos, do que as dificuldades de carácter tecnológico a ultrapassar.
O programa Aurora é um programa de longo termo da ESA, cujo o objectivo é preparar missões tripuladas e missões robóticas para a exploração de Marte, da Lua e dos asteróides e para a busca de vestígios de vida no Sistema Solar. A ExoMars e a Mars Sample Return são as próximas missões da ESA do programa Aurora, que deverão ser lançadas em 2011. A ExoMars terá por missão o estudo da existência de vida em Marte e a missão Mars Sample Return deverá recolher uma amostra de solo marciano e tentará realizar o facto inédito de regressar à Terra com essa amostra.
No entanto, para que a Europa se posicione na vanguarda da exploração do Sistema solar será necessário que a política europeia mude, e que os orçamentos adjudicados à ESA aumentem ou que pelo menos compensem a inflação anual, algo que não tem acontecido nos últimos anos.
Rui Curado Silva