Aquecimento global: Proposta de Bush recebida com cepticismo

01 de junho 2007 - 11:55
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Bush quer processo paralelo para combater as alterações climáticasO presidente norte-americano anunciou ontem querer lançar uma nova plataforma de entendimento sobre as alterações climáticas, juntando no fim de 2008 os 15 países que  mais contribuem para o efeito de estufa. Esta vontade dos EUA foi expressa a poucos dias da reunião do G-8, na Alemanha, que tem o ambiente num dos pontos da agenda. E alastra a preocupação de alguns países que vêem nas palavras de Bush uma manobra para afastar a ONU da coordenação das políticas para travar o aquecimento global. No mesmo dia em que Bush lançava a proposta, o director da NASA afirmou: "Não tenho a certeza que possamos dizer que [o aquecimento global] seja um problema contra o qual devamos lutar".

 

As metas recomendadas pelo painel da ONU vão no sentido de limitar o aquecimento no planeta a 2ºC, com medidas que travem a emissão de gases poluentes e apostem nas energias limpas. Os EUA sempre se opuseram à aplicação do Protocolo de Quioto e às medidas restritivas para a poluição das suas indústrias, embora sejam o país que mais contribui com emissões de gases para o aquecimento global.



Ao querer agora lançar a sua própria iniciativa, a Casa Branca procura colocar num plano secundário o caminho proposto pelas Nações Unidas. Mas poucos conseguem ver como será possível em tão pouco tempo colocar de acordo os países mais poluidores, se mesmo num quadro mais limitado como o G-8 as opiniões não convergem.



Um porta-voz da Greanpeace alertou que a iniciativa de Bush não passa de uma "manobra de diversão". Daniel Mittler diz que "não é preciso Bush iniciar um novo processo, porque já existe um em andamento. Isto só serve para atrasar o processo da ONU". A organização diz que os sete países do G-8 comprometidos com o Preotocolo de Quioto devem comprometer-se à mesma com a redução drástica das emissões e concluir um novo acordo, partindo das bases do de Quioto, até 2009.



O chefe dos negociadores alemães sobre alterações climáticas também reagiu mal às palavras de Bush, afirmando que a chanceler Merkel "nunca irá cruzar a linha vermelha" que significaria a exclusão ou secundarização da ONU no combate ao aquecimento global. Embora os chefes de governo do G-8 tenham optado pela cautela, congratulando-se com a disponibilidade da Casa Branca em enfrentar o problema das alterações climáticas, existe grande preocupação sobre a possibilidade do fórum proposto por Bush poder ensombrar a segunda fase do Protocolo de Quioto, que arranca no fim de 2007, em Bali.



Por coincidência, o anúncio de Bush surge no mesmo dia em que o director da NASA afirmou à rádio pública dos EUA ter dúvidas de que o aquecimento global seja um problema que mereça oposição. Michael Griffin admitiu a tendência para a subida das temperaturas, mas classificou de "arrogantes" os que acham que o clima actual é o melhor e que querem decidir em nome de toda a gente. Griffin foi muito criticado por ter reduzido o apoio a programas no âmbito da agência espacial norte-americana destinados a monitorizar as alterações climáticas na Terra.



O priincipal climatólogo da NASA, James Hansen, disse ter ficado "surpreendido" com estas afirmações do seu chefe, que demonstram "uma grande ignorância sobre a situação actual" e ajudam a perceber os cortes orçamentais da NASA no que respeita à investigação científica neste domínio.

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