Domingo à meia-noite na Venezuela foi encerrado o canal privado RCTV, na sequência da decisão do governo de não renovar a concessão. O canal RCTV emitia desde 1953 e a concessão não lhe foi renovada no seguimento da acusação de "canal golpista". Em sua substituição passou a emitir a Teves, um novo canal de serviço público criado este mês.
Domingo, realizaram-se em Caracas grandes manifestações a favor da decisão do governo e contrárias ao governo, favoráveis ao canal privado.
Na Venezuela existem quatro canais de televisão: A Venezuela de televisão, canal público; as privadas Televen e Venevisión e, a partir de agora, a Televisora Venezuelana Social (Teves).
A RCTV, propriedade do grupo 1BC, emitia desde 1953, tendo emitido a primeira telenovela em 1954. "A história da televisão venezuelana confunde-se com a sua", refere a Inter Press Service (IPS).
Desde a chegada de Chávez ao poder a RCTV, assim como outras cadeias, manteve uma linha editorial de oposição ao governo. Em 2002, aquando do golpe de Estado contra Chávez, deram cobertura às manifestações golpistas e no dia seguinte, 13 de Abril de 2002, ignoraram as manifestações de apoio a Chavez. Passando a ser chamado de "silêncio comprometido" pelos apoiantes de Chavez.
Segundo a IPS, em 2003 o magnata das comunicações Gustavo Cisneros, proprietário de Venevisión, reuniu com Chavez e com o antigo presidente norte-americano Jimmy Cárter e desde então mudou a linha editorial desse canal, caminho rapidamente seguido pela Televen, o outro canal privado.
Pelo contrário, a RCTV, dirigida por Marcel Granier, manteve-se contra Chavez. Granier chamava-lhe "tenente coronel Chavez"
A 28 de Dezembro, Chavez disse numa parada militar: "os velhos políticos e empresários acham que somos inferiores. Vêem como me chamam? O tenente coronel. Acham que assim me ofendem. Quando querem chamar gorila, atrasado, dizem: o tenente coronel". No seguimento desta referência, Chavez afirmou "há um senhor, desses representantes da oligarquia a quem ... deram concessão para um canal e ele agora anda a dizer que essa concessão é eterna" e acrescentou: "já está redigida a medida... Não vamos tolerar nenhum meio de comunicação que esteja ao serviço do golpismo".
A entidade governamental de telecomunicações, Conatel, deu por finda a concessão do canal à RCTV, esta apelou para o Supremo, que aceitou o processo, que pode demorar meses ou anos, mas não aceitou a suspensão da decisão governamental.
Durante o dia de Domingo, Caracas, a capital da Venezuela foi palco de grandes manifestações a favor e contra a decisão. Na concentração contra a decisão do governo houve intervenção da polícia e, segundo esta, 11 polícias ficaram feridos.