Em declarações ao jornal L’Echo, Anne Demelenne, secretária-geral da FGTB, afirmou que a Greve Geral "é uma necessidade para corrigir a situação". "A austeridade não é a solução", realça a dirigente sindical.
A sindicalista nega a o argumento da inevitabilidade que o governo e a troika utilizam para justificar a introdução de mais medidas de austeridade e esclarece que os sindicatos pretendem ser ouvidos não só pelo governo como também pela Comissão Europeia e Conselho Europeu.
"Dizer que todos têm de apertar o cinto é esquecer quem é o responsável pela crise é esquecer que determinadas categorias de pessoas simplesmente podem pagar", adianta Anne Demelenne.
Governo belga implementa novas medidas de austeridade
O governo belga já anunciou, entre outros, o aumento da idade de reforma e o aumento do número de anos de desconto. A idade mínima de reforma passará dos 60 para os 62 anos em 2016 e o número de anos de trabalho aumenta de 35 para 40, em 2015.
No que respeita ao subsídio de desemprego, o governo determinou que o seu montante será reduzido após dois anos e eliminado ao fim de quatro. O complemento para desempregados com idades mais avançadas e, consequentemente, maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho, passa a ser atribuído às pessoas com mais de 55, contra os 50 atualmente estipulados. As razões aceites para um desempregado rejeitar uma oferta de emprego também são restringidas.
As alterações introduzidas pelo executivo belga já foram elogiadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), contudo, nas conclusões preliminares do seu relatório anual sobre a economia deste país, o FMI enumera inúmeras medidas adicionais a serem introduzidas pelo governo.
"A recessão já está em andamento", afirmou Erik De Vrij, chefe da delegação do FMI responsável pela elaboração deste relatório. Para 2012, o FMI espera uma ligeira de -0,1% do PIB belga.
Segundo noticia o L’Echo, o FMI recomenda, nomeadamente, o aumento dos custos com cuidados de saúde, a redução dos custos do trabalho, a ampliação da base de IVA e a revisão do mecanismo de indexação salarial, o que passaria por uma descentralização da formação dos salários, a fim de explicar, segundo o FMI, as diferenças de produtividade entre setores.
Os sindicalistas, por sua vez, reclamam, entre outros, políticas de criação de emprego, uma reforma radical do sistema fiscal, a regulação do sector bancário e o investimento em inovação.
Grande adesão à Greve Geral
Em 22 de dezembro de 2011, a greve da função pública paralisou os transportes públicos no país, escolas, guardas prisionais, funcionários dos ministérios e das autarquias, entre outros serviços. A greve geral agendada para a próxima segunda-feira terá efeitos bastante mais abrangentes, sendo que as três confederações sindicais já anunciaram iniciativas um pouco por todo o país, entre as quais, piquetes de greve nas grandes empresas e centros comerciais, distribuição de informação, acções de sensibilização e fechos de escolas.
A greve dos comboios terá início já às 22h deste domingo, sendo que o seu término está marcado para as 22h de segunda-feira. Espera-se que a maior parte dos aeroportos estejam completamente encerrados e que se registe uma adesão total no setor rodoviário.
Os sindicatos do setor metalúrgico já anunciaram a sua adesão massiva à greve geral de segunda-feira, prometendo que este será apenas “o ponto de partida” das suas acções”.