Roménia: Dezenas de feridos em protestos contra a austeridade

16 de janeiro 2012 - 19:50

A polícia da Roménia tem usado gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes que pedem já a demissão do Presidente, Traian Basescu. Ao quinto dia de protestos contra as medidas de austeridade, o Governo marcou uma reunião de emergência.

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Cordão policial tenta conter os manifestantes numa praça central da capital da Roménia. Foto Robert Ghement/EPA/LUSA.

Os maiores confrontos entre manifestantes e forças de segurança desde o início da crise financeira aconteceram no domingo e nesta segunda-feira faziam-se as contas aos feridos, mais de 70 entre sábado e domingo, só na capital, Bucareste. Os protestos, onde já se pede a demissão do Presidente, Traian Basescu, e do Governo centrista do primeiro-ministro, Emil Boc, espalharam-se a outras grandes cidades, como Cluj, Timisoara e Iasi.

Perto de mil pessoas concentraram-se no domingo à tarde na capital romena, na praça da Universidade, para exigir a demissão do Presidente Traian Basescu e contestar as medidas de austeridades impostas pelo Governo. Horas depois, durante a noite, uma centena de jovens, a maioria com os rostos escondidos, começaram a lançar pedras, petardos e bombas de fumo contra os elementos da polícia.

As forças de segurança reagiram também violentamente, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, que acabaram por ocupar uma das principais avenidas de Bucareste. Vários caixotes do lixo foram incendiados e algumas estações de autocarro danificadas, testemunhou um jornalista da France Press.

Segundo a polícia, entre os manifestantes estavam apoiantes dos dois clubes de futebol da cidade, o Dínamo de Bucareste e o Steaua, conhecidos por incentivar e participar em atos de violência dentro dos estádios.

Já no sábado, a polícia romena disparou granadas de gás lacrimogéneo para dispersar os participantes numa manifestação anti-Governo, naquele que era o terceiro dia consecutivo de protesto contra a austeridade e a quebra de qualidade de vida. Perto de 50 pessoas foram identificadas e cerca de uma dezena de pessoas ficaram feridas, incluindo quatro polícias e um repórter de imagem.

A última vaga de manifestações foi desencadeada pela demissão do secretário de Estado da Saúde, Raed Arafat, que se opôs a medidas do Governo para privatizar parcialmente os débeis cuidados de saúde no país. Arafat, médico nascido na Palestina que vive na Roménia desde os anos 1980, é muito conhecido e popular devido às melhorias que conseguiu introduzir nos serviços de urgências. Recentemente, tinha sido alvo de ataques públicos por parte do Presidente.

Traian Basescu ainda recuou na impopular reforma dos serviços de saúde, mas isso não deteve os manifestantes, que protestam agora exigindo políticas alternativas e contra a corrupção no país, exigindo eleições antecipadas. A mesma exigência foi feita por uma aliança de partidos da oposição.

A partir de 2009, a Roménia recebeu dois anos de ajuda financeira do FMI (Fundo Monetário Internacional), da União Europeia e do Banco Mundial, no valor de mais de 21 mil milhões de euros, numa altura em que a economia do país recuou 7,1 por cento.

O acordo com a troika obrigou a Roménia a impor duras medidas de austeridade, reduzindo os salários do setor público em 25 por cento e aumentando os impostos.