Páginas Amarelas: trabalhadores pedem suspensão do despedimento

29 de novembro 2010 - 17:08

A Comissão de Trabalhadores, descrente nos compromissos assumidos pela PT (accionista das PA), irá pedir em tribunal a suspensão deste despedimento colectivo, denunciando todas as ilegalidades praticadas pela Direcção da empresa.

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A Páginas Amarelas é uma empresa com lucros (quase 6 milhões de euros em 2009), cujos accionistas são maioritariamente belgas, embora o presidente do Conselho de Administração, que viabilizou o despedimento, tenha sido nomeado com o acordo da PT.

Os 70 trabalhadores das Paginas Amarelas (PA) incluídos no processo de despedimento colectivo em curso não se deixam intimidar pelas pressões da Direcção e por isso não estão dispostos a aceitar a indemnização que esta se propõe pagar “em troca do seu silêncio” e da dispensa do prazo do aviso prévio do despedimento. As informações chegam num comunicado da Comissão de Trabalhadores (CT) das Páginas Amarelas.

Trata-se de uma empresa com lucros (quase 6 milhões de euros em 2009), recorda a CT, cujos accionistas são maioritariamente belgas, embora o presidente do Conselho de Administração, Dr. Raul Capela, que viabilizou o despedimento, tenha sido nomeado com o acordo da Portugal Telecom (PT), que conta com mais dois membros no Conselho de Administração. Neste sentido, a CT lembra que sendo a PT um dos accionistas da empresa, e tendo sido o seu presidente a decidir a situação, esta não pode demitir-se da sua responsabilidade social neste processo.

Além disso, diz a CT, a forma como a Direcção da empresa está a conduzir este processo é “inadmissível”, uma vez que tem hostilizado os trabalhadores e tenta marginalizar os seus legítimos representantes.

A Administração nega-se a negociar com a CT e não aceita nenhuma das propostas que esta fez; chantageia os trabalhadores, dando-lhes um prazo de 48 horas para aceitarem a última proposta que colocou à CT; pratica a descriminação entre os trabalhadores, anunciando que retira a proposta constante da comunicação inicial do despedimento colectivo, sobre o cálculo da indemnização; boicota a divulgação dos comunicados da CT aos trabalhadores, impedindo-a de utilizar o correio electrónico interno da empresa; inclui no despedimento a maioria dos membros da CT, com vista à sua dissolução; e coloca trabalhadores a prazo e em outsourcing a fazer horas extraordinárias durante fins-de-semana e feriados, excluindo os trabalhadores efectivos.

No passado dia 22 de Novembro, os trabalhadores decidiram em plenário que não aceitariam as condições propostas pela Direcção. No final, concentraram-se mais uma vez na PT, um dos accionistas da empresa, a quem comunicaram esta decisão, tendo obtido o compromisso da Administração da PT de que intercederia junto da Direcção das PA apresentando as nossas posições.

Apesar disso, no dia seguinte a Direcção fez saber que dava por terminada a fase de negociações e retirou a proposta de indemnização comunicada no início do processo (1,2 por cento sobre o salário base no final do aviso prévio, em Fevereiro/2011), substituindo-a por uma proposta de 1,2 por cento com cessação dos contratos em Dez/2010 e o pagamento das remunerações líquidas até Maio/2011 (mais 3 meses de salário e menos 2 meses de descontos), desde que os trabalhadores individualmente a aceitassem até ao dia 25 de Novembro às 12 horas.

Menos de duas horas depois da reunião ter terminado, denuncia a CT, o Director Geral enviou uma mensagem aos trabalhadores abrangidos, alargando o prazo para 26 de Novembro às 17h, mediante uma ‘aceitação formal’ dos trabalhadores de que renunciariam ao período do aviso prévio e de recorrer para tribunal deste despedimento.

A CT das Páginas Amarelas condena a acção da Direcção da empresa que impunemente insiste na ilegalidade e por isso fez saber que irá contestar todo o processo deste despedimento colectivo em Tribunal, pedindo a sua suspensão.