Governo quer extinguir Teatro Nacional São João

26 de outubro 2010 - 18:16

O Porto, segunda cidade do país e a que tem mais escolas de teatro, depois de perder o seu único Teatro Municipal, o Rivoli, está agora na situação inimaginável de perder também o TNSJ, uma extinção prevista na proposta de OE'2011.

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Foto AntoniusJ/WikimediaCommons

A proposta de Orçamento do Estado para 2011 prevê a extinção do Teatro Nacional São João (TNSJ) e a sua fusão na estrutura da OPART.

O TNSJ é, actualmente, a única estrutura de criação e produção descentralizada do Ministério da Cultura, considerada publicamente como um pilar essencial da vida cultural na cidade do Porto.

O Bloco de Esquerda já perguntou ao Ministério da Cultura (MC) se este estudou “o impacto da extinção do TNSJ no tecido cultural, na cidade do Porto e no país” pois quer saber quanto prevê o Governo poupar com a extinção e fusão do teatro e qual o seu impacto no equilíbrio das contas públicas.

A deputada Catarina Martins também questionou o MC no sentido de saber se para a tomada desta decisão foram ouvidos o Conselho de Administração e a Comissão de Trabalhadores do TNSJ, bem como os agentes culturais da cidade ou outras entidades directamente afectadas por esta decisão.

Catarina Martins refere que o TNSJ programa três instituições culturais – o Teatro Nacional São João, o Teatro Carlos Alberto e o Mosteiro de São Bento da Vitória –, mantém um centro de documentação de grande relevância e “é o único parceiro institucional estável das estruturas independentes de teatro e dança na cidade”.

Além disso a deputada do Bloco lembra que esta é uma das entidades com orçamento mais baixo no sector cultural pois o financiamento do Estado ao TNSJ é cerca de metade do atribuído à Casa da Música e é bastante inferior ao do Teatro Nacional D. Maria II.

“A fusão do Teatro Nacional São João na estrutura da OPART é portanto um gesto incompreensível e que causará danos profundos e irreparáveis na vida cultural da cidade”, defende Catarina Martins que considera que não ter qualquer sentido um Teatro Nacional, no Porto, ser gerido a partir de Lisboa.

“E menos sentido tem ainda que uma estrutura operante, sem défice financeiro ou problemas laborais relevantes, seja afogada numa estrutura gigante, muito deficitária e com problemas gravíssimos do ponto de vista laboral”, acrescenta.

Para o Bloco, com a decisão de extinção do TNSJ o MC “dá a mão ao executivo de Rui Rio”. Na pergunta dirigida ao MC, Catarina Martins acusa a gestão camarária de Rio de ser a que mais tem desinvestido na política cultural na cidade, “privando o Porto e os seus agentes culturais do único instrumento de afirmação e promoção da sua capacidade de criação artística”.