Cheyenne despediu 300 trabalhadores após receber subsídio

21 de junho 2010 - 13:36

O IAPMEI injectou, em Novembro do ano passado, cerca de dois milhões de euros na Facontrofa, empresa de vestuário de Vila Nova de Famalicão. Pouco tempo depois, a fábrica deixou de produzir por falta de encomendas e entrou em "lay off".

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Em Dezembro de 2009, as 50 trabalhadoras da fábrica Facontrofa temiam pelos seus postos de trabalho e enfrentavam uma administração que lhes negava explicações sobre o estado da empresa.



Mesmo com o apoio do Estado, através do Instituto de Apoio a Pequenas e Médias Empresas e Inovação (IAPMEI) que adquiriu 40% da estrutura accionista, a empresa, por falta de encomendas, e com salários e subsídios pendentes, optou pela inevitável insolvência em Maio deste ano. O facto obrigou ao encerramento de 25 lojas da marca Cheyenne por todo o país e ao despedimento de 300 trabalhadores.

Contactado pelo Jornal de Negócios, o IAPMEI desculpou-se com a crise mundial para explicar o desfecho da aposta na fábrica no Lugar Senhor dos Perdões, Ribeirão, em Vila Nova de Famalicão.

"Todos sabemos que este tipo de operações em empresas que se encontram em situação difícil é sempre de alto risco, havendo necessariamente probabilidades de insucesso", garante o IAPMEI, em declarações ao jornal. A fonte do instituto presidido por Luís Filipe Costa adianta ainda que são probabilidades "que se ampliam em períodos de grave crise económica como a que se registou e que afectou decisivamente as condições de sucesso do projecto de reestruturação da empresa".

Com a entrada do IAPMEI na estrutura accionista da Facontrofa, a empresa aumentou o seu capital social de um para cinco milhões de euros. O instituto do estado justifica a sua decisão alegando o que foi considerado na altura como um investimento numa empresa que apresentava uma “aposta forte na melhoria e expansão da rede comercial e com a garantia de uma nova equipa de gestão com credibilidade para assegurar os novos desafios que a empresa tinha pela frente, com a manutenção de um volume de emprego considerável e a vantagem de partir de uma marca já conhecida no mercado”.

Segurança Social entre os principais credores já em 2008

No final de 2008, a Segurança Social surgia já como um dos principais credores da Facontrofa, sendo que a empresa apresentava na altura um passivo que já ultrapassava os 19 milhões de euros. Outros dados avançados pelo mesmo jornal contradizem ainda mais o sentimento de segurança da aposta pública nesta empresa: a empresa vinha acumulando prejuízos desde 2007, ano em que facturou 16,5 milhões de euros e perdeu um milhão de euros. No ano seguinte as vendas baixaram para 15 milhões e os prejuízos foram de 4,4 milhões de euros.

O princípio do fim chegou em meados de Dezembro passado, quando, sem encomendas, os trabalhadores passaram a cumprir o seu horário laboral, sem qualquer trabalho para fazer.

No passado mês de Maio, na sequência de um processo de insolvência requerido por uma fornecedora (a têxtil Novoli), a fábrica da Facontrofa fundada em 1988 pelo grupo Paulo Serra&Irmãos, onde trabalhavam 50 pessoas, e as 25 lojas que empregavam 250 trabalhadores, foram então encerradas pelo administrador da insolvência.  

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