“Há muito que ameaçávamos o Governo de que iríamos pôr o dedo na ferida. É necessário denunciar os erros de gestão da Administração Pública e chegou a altura de o fazermos”, declarou o secretário coordenador da FESAP (UGT), Nobre dos Santos.
Para revelar os “erros de gestão” serão feitas concentrações de delegados, dirigentes e activistas sindicais, a partir do próximo dia 14 até 17 de Junho, nas quais serão entregues cartas aos governadores civis a “relatar todas as situações”.
“O objectivo é que eles, depois, sensibilizem o Governo”, explicou Nobre dos Santos, adiantando que será igualmente preparada uma concentração idêntica em São Bento, junto à residência oficial do primeiro-ministro, ou em frente à Presidência do Conselho de Ministros, para "sensibilizar o Governo no seu todo".
A título de exemplo, o responsável pela FESAP explicou o motivo pelo qual os serviços da Segurança Social apresentam, logo pela manhã, filas de espera “semelhantes às de um centro de saúde”. “Muitas das vezes, para haver atendimento tem de se andar a deslocar trabalhadores de outros centos. Isto não é culpa dos trabalhadores, mas de quem gere a Administração Pública”, explicou.
O sindicalista, que falava numa conferência de imprensa, tinha antes criticado as medidas de austeridade impostas pelo Executivo socialista para combater o défice, criticando o facto de os funcionários públicos serem “eternamente os bodes expiatórios” de todas as situações. Considerando ser necessário haver “um combate efectivo ao desperdício”, Nobre dos Santos apontou a causa do problema como resultante de uma "má gestão" do sector.
Além desta falha, o sindicalista critica ainda a inexistência de uma verdadeira discussão das medidas que estão a ser aplicadas, “sem que os trabalhadores percebam qual o caminho” que está a ser seguido, situação agravada pelo “ziguezague permanente” do Governo.
“É fundamental que os trabalhadores digam ‘Não’ a estas posições todas do Governo. Entendemos que não é necessário mais cortes salariais. Entendemos que não é necessário mais medidas de austeridade. As existentes são suficientes, se forem bem aplicadas e criteriosas”, considerou.
Questionado sobre a possibilidade da FESAP se unir aos restantes sindicatos numa greve comum, Nobre dos Santos não descartou a hipótese, embora tenha alertado que até entre as associações sindicais “tenha de haver diálogo”. “O que é fundamental, nesta altura, é que haja mais diálogo social para haver maiores níveis de negociação. Infelizmente, aqui, cada um vive de costas voltadas para o outro”, concluiu, numa alusão aos restantes sindicatos.