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Viseu exige urgência nas obras das urgências do hospital

Centenas de pessoas concentraram-se no Rossio de Viseu e exigiram também a instalação da radioterapia e do centro oncológico. O Bloco de Esquerda, que sempre se tem batido por estas reivindicações, esteve presente. Por Catarina Vieira e Castro
Centenas de pessoas concentraram-se no Rossio de Viseu e exigiram urgência nas obras das urgências do hospital e a instalação da radioterapia e do centro oncológico
Centenas de pessoas concentraram-se no Rossio de Viseu e exigiram urgência nas obras das urgências do hospital e a instalação da radioterapia e do centro oncológico

Este sábado, algumas centenas de pessoas concentraram-se no Rossio de Viseu, numa manifestação convocada pela Liga de Amigos e Voluntariado do Centro Hospitalar Tondela Viseu, enquanto Associação de Defesa dos Utentes da Saúde, para reivindicar a contratação urgente das obras de ampliação do Serviço de Urgência do Hospital de Viseu, que integra o Centro Hospitalar Tondela Viseu, há décadas exigidas e prometidas por sucessivos governos.

A convocatória manteve-se mesmo depois da ministra da Saúde ter anunciado um novo concurso para as obras (o anterior foi anulado por atraso nas respectivas verbas por parte do Governo, que apenas teria de entrar com cerca de um milhão de euros, sendo o restante garantidos pela CIM Viseu Dão Lafões, recorrendo a fundos comunitários), porque o carácter não urgente desta contratação levará a que o tempo previsto para a entrada em funcionamento do novo serviço de urgências seja de um ano e meio, se não houver os habituais atrasos e contratempos.

O Bloco de Esquerda não podia deixar de estar presente, por ter estado sempre na primeira linha da defesa do SNS e sempre se ter batido pela exigência de um processo célere de requalificação e aumento do serviço de Urgências, bem como pela construção do bunker de radioterapia necessário ao melhor funcionamento do prometido Centro de Oncologia; pela construção da ala necessária à instalação junto do Hospital de São Teotónio do Serviço de Psiquiatria; pela dignificação de profissionais que, todos os dias, trabalham para manter o SNS; e pelas e pelos utentes que se deparam com uma situação deplorável numa altura em que se encontram em situações de maior fragilidade.

A instalação de uma Unidade de Radioterapia e de um Centro Oncológico no Hospital de S. Teotónio do Centro Hospitalar Tondela/Viseu é uma velha aspiração dos e das viseenses e de toda a Região Dão-Lafões, plasmada em várias moções aprovadas por unanimidade na Assembleia Municipal de Viseu. E a região, apesar do Bloco de Esquerda não ter conseguido eleger quem a representasse na Assembleia da República, contou sempre com o apoio do grupo parlamentar do Bloco, quer através de reuniões e visitas ao Hospital, quer através das várias questões que colocou na AR.

 

Parafraseando o Zé Mário Branco: “Isto não anda, porque a malta não quer que isto ande!” (o original é muito mais efusivo!). Vejamos então:

1. Em 3.09.2004 (há quase dezasseis anos), o Conselho de Administração do Hospital de S. Teotónio solicitou ao Ministro da Saúde a instalação de uma unidade de Medicina Nuclear e de Radioterapia, nos terrenos cedidos para o efeito;

2. Em 17.12.2004, o Ministro da Saúde autorizou, por despacho, a criação de uma unidade de Medicina Nuclear no Hospital de S. Teotónio, em regime de ambulatório, e outra no Centro Hospitalar da Cova da Beira;

3. Em 2010 (há 10 anos), a Administração Regional de Saúde do Centro apresentou ao Ministério da Saúde um projecto para a criação do Centro Oncológico em Viseu, com unidade de Radioterapia e Medicina Nuclear;

4. Em 2012, um Estudo da Entidade Reguladora da Saúde concluía que a instalação de dois Aceleradores Lineares no Centro Hospitalar Tondela/Viseu, em alternativa ao da Cova da Beira, aumentaria a cobertura relativamente aos limites do tempo de viagem entre a residência do utente e o estabelecimento hospitalar, em 87% a nível nacional e em 77% a nível da Região Centro;

5. Em 2013, o Ministro Paulo Macedo considerou que a Unidade de Radioterapia teria de ceder o passo a outros investimentos mais prioritários;

6. Em Fevereiro de 2016 (4 anos), a Assembleia Municipal de Viseu aprovou por unanimidade uma moção do Bloco de Esquerda para manifestar ao senhor Ministro da Saúde a necessidade, sentida por profissionais e utentes dos serviços de Saúde do nosso concelho e de toda a Região Dão-Lafões, da instalação urgente e sem mais protelamentos da Unidade de Radioterapia no Centro Hospitalar Tondela/Viseu, o estabelecimento do Serviço Nacional de Saúde com maior capacidade técnico-científica e melhor centralidade geográfica para acolher esta unidade, de acordo com o Estudo da Entidade Reguladora da Saúde, publicado em 2012.

No entanto, dois meses depois, o “grande facilitador”, o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, chegou a anunciar, na Assembleia Municipal, com enorme júbilo, ter garantias por parte do governo de que a unidade de radioterapia viria para Viseu... para o Hospital da CUF. Quando o Bloco de Esquerda lhe recordou um estudo que apontava o Centro Hospitalar Tondela-Viseu como o mais bem preparado na região centro para receber aquele serviço, respondeu que tanto lhe fazia que viesse para um hospital público como para um privado, desde que os utentes pagassem o mesmo. Ora, os utentes acabam sempre por pagar mais. Se não for directamente, será por via dos impostos. Pelo simples motivo de que os privados investem na saúde, não por altruísmo, para salvar vidas, mas para ter lucro. Dizia a responsável pelo BES Saúde, já há uns anos, que “melhor negócio do que o da Saúde, só o das armas!”

Os cuidados de saúde, essenciais à vida, não podem ser objecto de lucro!

Pela Saúde, enquanto serviço Público, Universal e Gratuito, o Bloco de Esquerda estará sempre presente!

Artigo de Catarina Vieira e Castro, dirigente nacional do Bloco de Esquerda e deputada municipal em Viseu, eleita pelo Bloco.

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