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Trabalhistas britânicos querem reduzir leque salarial

No dia do primeiro debate eleitoral entre os candidatos às eleições de 12 de dezembro, o responsável pela pasta das finanças dos trabalhistas apresentou algumas das propostas económicas do partido.
John McDonnell numa conferência do Partido Trabalhista em setembro. Foto Socialist Appeal/Flickr

Em declarações à imprensa, John McDonell afirmou que um governo liderado por Jeremy Corbyn irá colocar o combate às alterações climáticas no topo das prioridades. Muito crítico da gestão movida pela busca do lucro para os acionistas em detrimento dos trabalhadores das empresas britânicas, o responsável pela pasta das finanças do Partido Trabalhista deu exemplos de empresas como a Thomas Cook ou a Carillion, que abriram bancarrota após o fracasso de uma gestão sedenta de dividendos.

Para entrar numa nova fase, os trabalhistas prometem alterar a lei para que os gestores das empresas tenham em conta os interesses a longo prazo não apenas dos acionistas, mas também dos trabalhadores, do ambiente e do público em geral. E isso pode passar pela entrada dos trabalhadores no capital das empresas, com uma fatia de 10%. Quanto às empresas que não tomem medidas adequadas ao objetivo de descarbonização da economia, os trabalhistas propõem que sejam retiradas do índice da Bolsa de Londres.

O plano de investimentos dos trabalhistas para conseguir neutralizar as emissões de carbono em 2030 passa por um fundo de transformação verde de 250 mil milhões de libras, acrescido de igual montante através do Banco Nacional de Investimento. McDonell diz que o partido pretende mobilizar outras verbas a partir do setor financeiro, podendo o montante total atingir o bilião de libras em dez anos, que é o semelhante ao proposto pelos Verdes, embora estes não incluam a participação privada.

A desigualdade salarial no Reino Unido é outra das preocupações manifestadas no programa eleitoral, com a proposta de reduzir o leque salarial para um rácio de 20 para 1, tanto no setor público como para as empresas que queiram concorrer para firmar contratos com o Estado.

A promiscuidade entre as empresas gigantes que dominam o mercado das auditorias, funcionando em regime de cartel, foi outro dos pontos sublinhados por McDonell, que pretende que elas sirvam para “fornecer informação socialmente útil”. Os trabalhistas querem que as grandes empresas mudem de auditora de cinco em cinco anos e que estas empresas de auditoria não possam oferecer outros serviços, de forma a prevenir conflitos de interesse.

Os escândalos financeiros e empresariais deixaram bem evidente as falhas dos reguladores e McDonnell promete alterar a lei para reforçar a ação destas entidades, ao mesmo tempo que aponta o facto de a população estar pouco representada na direção das entidades reguladoras.

Corbyn quer repor taxa até 28% no imposto sobre lucros das empresas

Tal como os outros principais candidatos às eleições legislativas de dezembro, Jeremy Corbyn participou esta segunda-feira na conferência da Confederação da Indústria Britânica, respondendo a perguntas dos empresários sobre o seu programa. E voltou a defender um plano de renacionalizações, em particular da British Telecom para poder assegurar ligação gratuita de banda larga por fibra ótica a todas as habitações e empresas, o que a atual gestão privada não garante, e assim ajudar a aumentar a produtividade.

Corbyn prometeu também implementar um Serviço Nacional de Educação que dê ensino gratuito ao longo da vida escolar e um programa de investimento público de 250 mil milhões de libras em dez anos para infraestruturas, um montante igual para capitalização de empresas e cooperativas, para além de 150 mil milhões de libras em cinco anos para financiar escolas, hospitais, centros de dia e habitação.

Outro tema inevitável nesta aparição pública de Corbyn junto dos empresários britânicos foi a questão fiscal, com o líder trabalhista a prometer que os 5% mais ricos irão pagar mais impostos, embora assegure que o imposto sobre as empresas não irá subir, caso venha a formar governo, para além do nível praticado em 2010. Ou seja, passaria dos atuais 19% para um máximo de 28%.

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