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Trabalhadores lançam abaixo-assinado em defesa de uma “TAP pública”

Só a manutenção da companhia na esfera pública impedirá que se transforme numa subsidiária, alerta a Comissão de Trabalhadores da companhia aérea num manifesto que vai ser aberto à assinatura cidadã.
O manifesto será aberto à assinatura dos cidadãos em geral.
O manifesto será aberto à assinatura dos cidadãos em geral. Foto de Jonathan Palombo/Flickr

 Intitulado “Por uma TAP pública ao serviço do país”, o manifesto da Comissão de Trabalhadores da empresa de aviação esclarece que o objetivo é sensibilizar o Governo para que garanta que a TAP se mantenha na esfera do Estado, noticia a Agência Lusa.

O documento conta com a assinatura de trabalhadores e reformados da TAP e várias empresas do setor, bem como mebros de organizações representativas de trabalhadores e diversas personalidades, como Jorge Palma, será aberto a assinatura dos cidadãos em geral.

“Não queremos ser uma empresa subsidiária, nem ser transformados numa ‘low-cost’”, afirmou Rui Nunes, da CT da TAP, no que considera ser um cenário provável caso se verifique a entrada de um investidor privado na transportadora.

Atílio Noronha, reformado da TAP com 35 anos de trabalho como supervisor de cabine, é um dos signatários do manifesto, e considera que qualquer outra solução para a empresa que não passe por mantê-la na esfera pública, ou seja, vendê-la ou torná-la “subsidiária de uma outra companhia europeia”, vai fazer com que a “TAP não possa ser aquilo que se espera e ser importante para o país”.

O manifesto esclarece que, com a crise sanitária e económica, “sem a intervenção do Estado a companhia não teria resistido aos impactos da pandemia”, e que “é preciso que o poder político não ceda perante os grandes interesses e que assuma o desenvolvimento da empresa”.

O plano de reestruturação que o Governo terá de apresentar em Bruxelas é um

dos pontos de preocupação de Rui Nunes. A elaboração do plano foi entregue pelo Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, à Boston Consulting Group.

O Conselho de Ministros aprovou em 17 de julho a concessão de um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP, em conformidade com a decisão da Comissão Europeia.

Além do empréstimo remunerado a favor do Grupo TAP de 946 milhões, ao qual poderão acrescer 254 milhões, sem que, contudo, o Estado se encontre vinculado à sua disponibilização, as negociações tinham em vista a aquisição, por parte do Estado português, de participações sociais, de direitos económicos e de uma parte das prestações acessórias da atual acionista da TAP SGPS, Atlantic Gateway, SGPS, Lda.

Desta forma, o Estado português passa a deter uma participação social total de 72,5% e os correspondentes direitos económicos na TAP SGPS, pelo montante de 55 milhões de euros, explica a Agência Lusa.

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