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"Se não reforçamos o SNS, caímos todos"

Mariana Mortágua clarificou o que separa Bloco e Governo: "Queremos uma reforma estrutural que levante o SNS e o Governo só aceita remendos de curto prazo”. Na Saúde, como nos apoios sociais, "não há remendos que estanquem a urgência de medidas fortes e estruturais”, defendeu.

No início da sua intervenção, a deputada do Bloco de Esquerda realçou que “o país exige-nos soluções e convergência para essas soluções”. “Mas essa procura por soluções não começou ontem, avançou. “Reconhecendo a gravidade da pandemia”, o Bloco viabilizou “todos os recursos e todas as leis que o Governo pediu ao Parlamento”, lembrou Mariana Mortágua.

“Na emergência e no orçamento suplementar, aceitámos e apoiámos tudo o que o Governo considerou essencial para a sua intervenção emergencial. Nenhuma outra bancada procedeu desta forma. Reconhecemos a emergência e respondemos à emergência”, continuou. E isto ainda que tenham existido “verbas e apoios, alguns deles negociados com o Bloco, que nunca saíram do papel", continuou.

Obrigação do Bloco é "estar à altura dos desafios estruturais que a pandemia expôs"

O Bloco considera que a sua obrigação no Orçamento para 2021 “já não é só responder à emergência com medidas de emergência, é proteger o país e estar à altura dos desafios estruturais que a pandemia expôs: a enorme pressão sobre um SNS cansado mas que luta, a ameaça do desemprego e do abuso sobre quem é mais precário, a pobreza que corrói tantas famílias”.

Mariana Mortágua fez referência à recusa por parte do Governo em acabar com as regras de atribuição do subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego impostas pela troika ou retirar a extensão do período experimental. E lembrou que, face à proposta do Bloco no sentido da criação de uma nova prestação social, o Governo contrapôs com um apoio emergencial e temporário, financiado com fundos europeus durante 2021. Acresce que, mesmo após a negociação, este apoio nem sequer garante que todas as pessoas apoiadas em 2020 mantêm o apoio em 2021.

A deputada do Bloco clarificou que o que separa o Bloco do Governo: “O que nos distingue não é querer ou não querer um bom serviço público de saúde. O que nos separa é que queremos uma reforma estrutural que levante o SNS e o governo só aceita remendos de curto prazo. Assim, condena-se o SNS à atrofia”.

"Não há remendos que estanquem a urgência de medidas fortes e estruturais"

“Na Saúde, como nos apoios sociais, não há remendos que estanquem a urgência de medidas fortes e estruturais. Se pensa que com a rotina, uns arranjos provisórios e alguns anúncios consegue conduzir Portugal na resposta à crise, o governo engana-se”, frisou.

Mariana Mortágua defendeu que “a nossa crise não é política”: “O Governo não cai nem se levanta. A nossa crise é que, se não reforçamos o SNS, caímos todos. A nossa crise é que, se não cuidamos de travar a segunda vaga de despedimentos, todos sofremos. Por isso, o Bloco de Esquerda apresentou e insiste em propostas estruturais para a saúde, para o emprego, para a segurança do povo, para a banca”.

A dirigente bloquista deixou ainda um compromisso: “Se houver o bom senso de reforçar o SNS, se houver a razoabilidade de proteger quem está aflito no desemprego e na miséria, se houver o bom senso de protegermos o Estado da pilhagem financeira, teremos um bom Orçamento”.

A deputada bloquista respondeu ainda a Sónia Fertuzinhos, que acusou o Bloco de ficar na imagem ao lado do PSD a chumbar o orçamento. Mariana Mortágua afirmou que o que preocupa o Bloco não é a imagem. O partido "está empenhado em dar uma resposta consistente à crise". “Foi com base nessa convicção que negociámos, é com base nessa convicção que analisamos, decidimos o nosso voto”, vincou.

"A senhora deputada está muito preocupada com imagens. Mas preocupou-se muito pouco com a imagem quando o PS se juntou ao PSD para votar sobre a banca. Preocupou-se menos com imagens sempre que o PS se juntou à direita para votar sobre a lei laboral. Quando deixou a esquerda num lugar de exclusão e a impediu de estar no debate da lei laboral, assumindo que a lei laboral só se discute com a direita ou com patrões”, acrescentou a deputada bloquista.

De acordo com Mariana Mortágua, ao Bloco preocupam “as respostas e a certeza de ter votado um orçamento que responde à crise”. Ao contrário do que pensa Sónia Fertuzinhos, “o importante não é a opinião dos eleitores sobre as imagens, mas sim a opinião dos eleitores quando daqui a dois, três ou quatro meses a crise estiver mais profunda” e se aperceberem de que “as imagens não correspondiam a medidas estruturais e de verdade”.

“Se o Governo quer um orçamento de esquerda, comprometa-se com medidas de esquerda”, destacou. A deputada deixou ainda algumas questões que ficaram por responder: “Por que não a exclusividade dos médicos do SNS? Por que resiste o Governo em criar carreira para os operacionais dos hospitais? E em dar autonomia aos hospitais para contratarem? ”.

“É disso que estamos a falar. Medidas estruturais para dar resposta à crise. Muito mais do que imagens, preocupam-nos soluções reais para responder aos problemas do país”, rematou.

 

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