You are here

“Recandidato-me porque o atual Presidente fechou os olhos ao agigantamento dos privilégios”

No comício de abertura da sua campanha, Marisa Matias prometeu uma campanha diferente, com surpresas e novas formas de contacto social, mas com a mesma força e entusiasmo porque "este é o tempo de ouvir as pessoas".
Marisa Matias no comício de abertura da sua campanha presidencial de 2021.

No primeiro comício da sua campanha às presidenciais, Marisa Matias esteve ao lado de Catarina Martins, do mandatário Tiago Rodrigues e da ativista laboral Sofia Figueiredo, num formato virtual transmitido a partir do Cinema São Jorge, em Lisboa, ao qual se ligaram centenas de pessoas.

Marisa Matias disse ser “a mesma pessoa da campanha de há cinco anos”, que se mantém fiel na luta por um SNS mais forte e mais igualitário, na luta “pelo pleno emprego e pelo fim da precariedade que atormenta a vida dos jovens” ou na luta pela igualdade entre homens e mulheres. Assumiu, no entanto, que o mundo hoje é muito diferente, e infelizmente pior, daquele de há cinco anos. Há mais desigualdade, mais poderes económicos que se “agigantaram” e “que impõem aos países regras de austeridade, que cobram rendas, que nos exploram nos trabalhos, nos impostos, na energia, na saúde, que traficam influências, que compram favores e que manipulam governos”.

“Os que nos dizem que no centro é que se tomam as decisões sensatas escondem um fracasso clamoroso de que são responsáveis: prometem rigor e dão-nos offshores, prometem-nos justiça e esquecem a corrupção, prometem-nos direitos e dão-nos cangas de trabalho e de tristeza”, afirmou Marisa, revelando de seguida que “a razão pela qual eu enfrento a recandidatura do atual presidente é que ele fechou os olhos a este agigantamento dos privilégios”.

Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa foi mais longe e disse que este representa “a continuidade desse Portugal antigo”, que “quer que o país não se mova, que o povo não fale, e que o respeitinho continue muito lindo”, enquanto uma oligarquia poderosa continua a dominar Portugal. Em contrapartida, Marisa disse querer “um Portugal para agora e para o futuro, aberto, solidário, mobilizado para homens e mulheres iguais em direitos e deveres, para a transição climática, para uma democracia responsável e para uma democracia intensa”.

Já sobre a extrema-direita, lamentou os exemplos que têm surgido um pouco por todo mundo, incluíndo um “trumpominion” em Portugal. “A extrema direita é um caldo de cultura dos discursos de ódio, da desigualdade cruel, da perseguição à democracia e do achincalhamento dos mais pobres ou mais desprotegidos”, alertou.

Para as próximas duas semanas, Marisa disse querer “ouvir as pessoas” e poder mostrar “o que quero que Portugal seja nos próximos cinco anos”, na expectativa de quando os votos forem contados “contribuir decisivamente para que Marcelo Rebelo de Sousa perceba que há uma enorme força popular que não vai só defender a saúde pública e a escola que é de todos, mas que vai exigir e conseguir engrandecer o Serviço Nacional de Saúde ou impor leis laborais que nos respeitam”.

“Estou aqui para uma luta empenhada que só tem a enorme ambição que se chama democracia”, concluiu Marisa.

Catarina Martins: “A Marisa é a combinação extraordinária de luta, cuidado e dedicação inteira”

Catarina Martins começou por salientar que “este é um tempo excecional” que requer “tanto de determinação como de cuidado” e sublinhou que é da Marisa que precisamos neste caminho, para fazer a “recusa dos retrocessos que o medo quer impor” e lutar pelos “avanços em nome do sonho de justiça, da exigência de dignidade, do compromisso com a liberdade e a igualdade”.

Num discurso com largos elogios ao trabalho incansável e de luta persistente que Marisa Matias tem levado a cabo ao longo de toda a sua vida, a coordenadora do Bloco de Esquerda lembrou que “lutamos contra um vírus que a ciência só agora começa a ter armas para combater, lutamos contra a devastação social e económica da pandemia, lutamos para que o Serviço Nacional de Saúde possa aguentar este tsunami e não esqueça tudo o resto, lutamos contra as desigualdades que já cá estavam e a pandemia cavou mais fundo, lutamos por um planeta ameaçado”. Para Catarina Martins, “é preciso a coragem de enfrentar as desigualdades e injustiças de sempre” para que nada seja como antes” e disse não ter dúvidas que “ninguém como a Marisa está preparada para estes tempos”.

Também Catarina Martins lançou farpas a Marcelo Rebelo de Sousa, ao afirmar que ao longo do seu mandato este “nunca se esqueceu de quem é e os grandes interesses que o apoiam”. “Que ninguém na esquerda o esqueça também”, frisou.

“A Marisa será a força para as soluções e para as convergências que contam. Não da conformação à inevitabilidade, nem da desistência perante a gravidade da crise. Não do consenso envergonhado que adia soluções, mas da força para dar já os passos fundamentais na resposta à crise: garantir a saúde, respeitar quem trabalha, apoiar quem precisa”, concluiu Catarina Martins.

Tiago Rodrigues: “Marisa diz e faz na campanha eleitoral o que diz e faz nos outros dias do ano”

Tiago Rodrigues, mandatário da candidatura de Marisa Matias e atual director artístico do Teatro Nacional D. Maria II, disse que Marisa “dignifica a política” e que o que faz e diz numa campanha presidencial é o que faz e diz nos outros dias do ano, uma política “a pensar nos mais jovens e também a pensar nos mais vulneráveis da nossa sociedade”.

Disse saber que Marisa “vai defender a questão da cultura e das artes como um bem de acesso essencial ao povo português, um bem que não deve ser privado, que deve ser cada vez mais acessível democraticamente” e que “vai defender que haja cada vez mais descentralização, não apenas da oferta mas também da criação cultural”. “Face a um previsível confinamento, sabemos que Marisa Matias vai defender apoios sociais dignos para os trabalhadores da cultura, legislação que combata e acabe com a precariedade na cultura e tratamento digno através do financiamento estatal daquilo que é um bem essencial para os portugueses”, prosseguiu.

Tiago Rodrigues concluiu com um apelo ao voto em Marisa Matias, sublinhando que “muito poucas pessoas poderiam encarnar este papel que exige a luta por uma sociedade mais livre, justa e solidária, como a Marisa Matias”.

Sofia Figueiredo: “Marisa tem sido voz forte contra os abusos laborais”

Sofia Figueiredo, ativista laboral que inicialmente se cruzou com Marisa na luta pelos direitos dos cuidadores e das cuidadoras informais, é vigilante há nove anos, trabalhando há quatro para o Ministério do Trabalho, nunca com contrato de trabalho mas por via de outsourcings. Uma área que abrange cerca de 40.000 trabalhadores.

A vigilante revelou que apesar de serem trabalhadores essenciais, sempre tiveram péssimas condições de trabalho com “excesso de horas - muitas não pagas -, salários que não chegam aos 800 euros, dumping das empresas para puxarem sempre os direitos dos trabalhadores para baixo, abusos por partes das chefias para fazermos as horas que a eles bem lhes apetece com turnos seguidos de 12 horas quando não são 16, a maioria a trabalhar noites, natais e folgas sem serem devidamente compensados nem reconhecidos” Um problema que atribui a uma lei do trabalho que tem sido degradada e à impunidade que existe face ao não cumprimento das leis que existem.

Sobre a Marisa, disse estar com ela - como tantos outros/as vigilantes - “como ela tem estado connosco”, por colocar “as questões dos trabalhadores no centro da sua luta” e ser uma “voz forte contra os abusos laborais”.

“A Marisa dá força à causa dos trabalhadores e sei que é imprescindível dar força e dar votos a uma candidatura que no dia seguinte às eleições vai estar connosco”, concluiu.

Termos relacionados Marisa 2021, Política
(...)