“Assistimos hoje a uma conferência de imprensa entre quatro ministros que se reuniram para dizer ao país que não vão tomar nenhuma medida para controlar os preços ou para aliviar o orçamento das famílias em Portugal”, afirmou Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas.
Na realidade, quem tinha expetativas de que o Governo viesse, efetivamente, apresentar medidas robustas que fizessem a diferença na vida de quem enfrenta um brutal aumento do custo de vida teve “uma grande desilusão”.
“Quem esperava por uma taxa sobre os lucros extraordinários dos setores que estão a lucrar com a crise da inflação não viu essa taxa a ser apresentada. Quem esperava controlo de preços sobre bens alimentares, cujo cabaz já aumentou mais de 200 euros só desde o início do ano, não teve qualquer controlo de preços. Quem esperava o controlo dos preços dos combustíveis também não viu essas medidas. Quem esperava medidas robustas para aumentar os salários e as pensões o que encontrou foi uma grande desilusão”, assinalou a dirigente bloquista.
De acordo com Mariana Mortágua, “a conferência de hoje apenas confirma que o pacote de medidas ontem apresentado pelo primeiro-ministro vem tarde, é curto e está mesmo cheio de truques”.
A deputada do Bloco de Esquerda referiu que “há uma única novidade nos dados que são hoje apresentados pelo ministro das Finanças”: “Ficamos a saber que quase metade do pacote de combate à inflação é composto, apenas, pela antecipação das pensões a que os pensionistas já teriam direito em 2023. Quase metade do pacote apresentado é um truque de finanças que vai antecipar pensões a que os pensionistas já tinham direito em 2023”, explicou.
Mariana Mortágua lamentou que continuemos “não ter respostas mais robustas, apenas um conjunto de truques de ilusionismo que pouca diferença fazem na vida das pessoas que continuam a ver a sua pensão ou o seu salário a não chegar ao fim do mesmo por via deste aumento do custo de vida”.