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Protestos na China contra os confinamentos

Os protestos deste fim de semana foram os maiores das últimas décadas e levaram as autoridades chinesas a aliviar as restrições nalgumas cidades.
Protesto em Pequim no sábado. Foto Mark R. Cristino/EPA

Um incêndio de um prédio em Urumqi, na província de Xinjiang, fez na passada quinta-feira 10 mortos e nove feridos. E foi o rastilho para o início de uma vaga de manifestações que alastraram ao resto do país. Em Xangai ouviram-se apelos à demissão de Xi Jinping e ao fim dos confinamentos e testes PCR. A polícia usou gás pimenta contra as centenas de manifestantes.

Em Xinjiang, as autoridades abriram alguns bairros de Urumqi após as manifestações noturnas contra a política de “covid-zero” que obrigou os habitantes a um confinamento de mais de três meses. Os manifestantes dizem que as medidas restritivas agravaram o incêndio mortífero, ao impedir a saída dos moradores e atrasarem o trabalho dos bombeiros no combate às chamas. E desconfiam ainda dos números divulgados pelo governo quanto às vítimas. Por seu lado, as autoridades negam que houvesse barreiras a impedir as saídas do edifício e que os residentes foram autorizados a sair. E acabaram por inflamar ainda mais o descontentamento quando o chefe do departamento de bombeiros de Urumqi, Li Wensheng, declarou que “a capacidade de alguns moradores para se salvarem foi muito fraca”. À Associated Press, algumas pessoas que vivem noutros pontos da cidade contaram que as portas dos seus prédios estavam fechadas com correntes.

Em Xangai, a polícia também reprimiu os protestos e esta segunda-feira montou barreiras na avenida onde têm tido lugar. Segundo a BBC, a polícia interpelava as pessoas que passavam e obrigava-as a mostrar e a apagar as fotografias do protesto dos seus telemóveis. Um repórter da BBC foi detido e depois agredido pela polícia durante a concentração. Em Pequim, os manifestantes trouxeram folhas em branco que usaram como cartaz, numa ação que começa a ser habitual em iniciativas pela liberdade de expressão em todo o mundo.

A política do “covid-zero” começou por ser bem aceite pela população no início da pandemia, ao minimizar o número de mortes e infeções quando no resto do mundo o contágio do novo coronavírus disparava e os hospitais não tinham mãos a medir para receber os casos mais graves. Mas nos últimos meses, esse apoio tem vindo a diminuir, com os relatos de mortes de pessoas que não conseguiram ajuda médica a tempo por causa dos confinamentos. Por outro lado, os cidadãos apercebem-se que a China é o único país a seguir esta política que os obriga a ficarem durante meses fechados em casa. E o arranque do Mundial de Futebol contribuiu para a exasperação da população, ao verem pela televisão que milhares de pessoas assistiam sem máscaras no estádio ao jogo de abertura da competição. Nos jogos seguintes, a televisão estatal chinesa passou a evitar os planos que mostram o público nos estádios do Qatar.

Esta segunda-feira a China anunciou um número recorde de casos diários, com cerca de 40 mil registados na véspera, a culminar uma série de cinco dias de subida de casos positivos. Em Pequim, a variante BF.7 Omicron, altamente transmissível mas com baixa mortalidade, é a responsável pela maioria dos surtos e dos dois mil casos registados esta segunda-feira. Em resposta à tragédia de Urumqi, as autoridades da capital chinesa anunciaram que é estritamente proibido o bloqueio das entradas e saídas dos prédios.

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