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Proposta franco-alemã no Eurogrupo “não é compromisso nenhum”

O eurodeputado bloquista José Gusmão comenta o impasse no Eurogrupo e critica o governo português por alinhar com as posições da Alemanha em vez de se colocar ao lado da Itália neste debate sobre a solidariedade europeia.
José Gusmão
José Gusmão no Parlamento Europeu. Foto GUE/NGL-Flickr

O Eurogrupo viu a sua reunião interrompida sem acordo na manhã de quarta-feira, com os ministros das Finanças a voltarem a juntar-se por videoconferência na quinta.

Para o eurodeputado do Bloco de Esquerda José Gusmão, o impasse na reunião do Eurogrupo está relacionado essencialmente com duas matérias: “a imposição de políticas económicas de austeridade como condição de acesso aos empréstimos do Mecanismo Europeu de Estabilidade e a introdução de mecanismos mínimos de solidariedade dentro da União Europeia como é o caso dos eurobonds”.

“O Governo francês e o Governo alemão apresentaram uma proposta que dizem ser de compromisso, mas não é compromisso nenhum. É, simplesmente, a vitória da Alemanha, da posição inicial da Alemanha, desde o início deste debate”, aponta o eurodeputado bloquista.

José Gusmão sublinha ainda que “a Itália, e bem, está a opor-se a essa proposta porque ela representaria uma nova vaga de austeridade dentro da União Europeia, com todas as consequências que conhecemos”.

“O que é difícil perceber é porque é que a representação portuguesa do Eurogrupo está a alinhar com a proposta do eixo franco-alemão, em vez de estar, como devia estar, ao lado da posição do governo italiano”, critica José Gusmão, lembrando que ainda há poucos dias António Costa escreveu, com outros primeiros ministros, uma carta exigindo solidariedade económica na União Europeia e propondo os eurobonds.

“Talvez fizesse sentido fazer chegar essa carta ao Ministro das Finanças”, conclui José Gusmão, numa referência ao facto de Mário Centeno ter defendido no Eurogrupo a posição de Berlim contra a de Roma.

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