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“As PPP são um autêntico sorvedouro de dinheiro”

Catarina Martins, na comemoração do 21º aniversário do Bloco, lembrou que a defesa do SNS, tão importante ainda mais em “tempo de epidemia”, está no centro da atividade do partido. E, sobre as PPP, sublinhou que “foram sempre uma porta giratória entre governos e empresas privadas”.
Catarina Martins na comemoração do 21º aniversário do Bloco de Esquerda - Foto de José Coelho/Lusa
Catarina Martins na comemoração do 21º aniversário do Bloco de Esquerda - Foto de José Coelho/Lusa

O Bloco de Esquerda realizou nesta sexta-feira um jantar em Vila do Conde de comemoração dos 21 anos, onde intervieram a coordenadora Catarina Martins e a deputada Maria Manuel Rola.

Na sua intervenção, a coordenadora bloquista falou dos 21 anos do partido, do Serviço Nacional de Saúde (SNS), das Parcerias Público-Privadas (PPP) e anunciou o Fórum das Lutas, um grande encontro a ter lugar na próxima primavera.

Não somos contra certas PPP, somos contra todas as PPP”

“Em menos de 10 anos as PPP custaram 12 mil milhões de euros, mais de mil milhões de euros por ano”, denunciou a coordenadora bloquista, lembrando que há PPP rodoviárias, na saúde, o Siresp… e que “Portugal é dos países onde as PPP mais pesam no produto interno bruto (PIB)” e em que mais riqueza produzida é entregue a parcerias público-privadas.

As PPP têm uma caraterística "quando algo corre mal nestas parcerias o risco é sempre para o público e não para os privados", havendo sempre "contratos de reequilíbrio financeiro após os contratos iniciais", acusou a dirigente bloquista.

"A taxa de rentabilidade das PPP foi sempre mais alta do que os juros da dívida, o que quer dizer que foram mais caras do que fazer diretamente”, sublinhou a deputada, acrescentando que “foram uma porta giratória entre governos e empresas privadas, que minaram sempre o interesse publico".

"Não somos contra certas PPP, somos contra todas as PPP", frisou Catarina Martins, salientando que todos podem “contar sempre com o Bloco para acabar com as PPP”.

SNS está a ser sangrado pelos negócios privados da doença”

"Hoje, que o país está confrontado com uma epidemia, que está espalhada por todo o mundo, sabemos que só um SNS forte pode ser a resposta que precisamos. Mas no Bloco não precisamos de nenhuma epidemia para compreender como é importante o SNS. O que é necessário é que todos os instrumentos que aprovámos nos últimos tempos, da lei de bases e do Orçamento de Estado, sejam efetivados", afirmou Catarina Martins.

A coordenadora bloquista denunciou que “o SNS está a ser sangrado pelos negócios privados da doença”, sublinhando que os “interesses privados são muitos porque a saúde é uma área fundamental”. Recordando o importante trabalho de João Semedo e António Arnaut para elaborar uma nova lei de bases da saúde, que foi aprovada na anterior legislatura, apontou que agora é preciso regulamentar a lei.

"O SNS é dos serviços que mais apetite de negócio consegue despertar nos privados. Há quem queira fazer da saúde um negócio, aproveitando-se do esforço e trabalho de todos para um SNS forte. Fizemos um trabalho que resultou numa nova lei de bases, que agora tem de ser regulamentada para ser real", disse.

“Decidimos que o SNS ia estar no centro de toda a atividade do Bloco”, destacou ainda Catarina Martins, sublinhando que o Bloco garantiu o “maior orçamento de sempre” para o SNS, “com investimento para internalizar seviços que têm sido contratualizados com privados”, com mais contratação de pessoal, com um programa de saúde mental, com mais cuidados primários.

Fórum das lutas

“Decidimos fazer nesta primavera um Fórum das Lutas”, anunciou Catarina Martins, salientando que se trata de um grande encontro, de um “daqueles momentos que podem desenhar o futuro do país com dignidade”, lembrando a concluir que há tanto a fazer em Portugal, “um país com um salário baixo de mais, com uma pensão baixa de mais”.

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