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Policia israelita ataca funeral de Shireen, concentração em Lisboa exige justiça

O corpo da jornalista assassinada pelas tropas da Israel passou por várias cidades antes de chegar a Jerusalém, num dos maiores funerais palestinianos das últimas décadas e que juntou cristãos e muçulmanos. Segunda-feira às 18h há concentração no Rossio, em Lisboa.

Membros da comunidade palestiniana em Portugal lançaram um apelo à participação numa concentração esta segunda-feira às 18h no Rossio, em Lisboa, "contra os horrores da ocupação da Palestina por Israel, à contínua desapropriação e limpeza étnica do povo palestiniano e a décadas de impunidade".

Referindo-se ao assassinato da jornalista palestiniana, os organizadores perguntam: "Até quando estas ações de Israel ficarão impunes? Por quanto tempo o mundo ficará parado enquanto Israel pratica os seus crimes com total impunidade?"

"Para que a comunidade internacional acabe com sua cumplicidade e silêncio, devemos unir-nos e exigir justiça para a Palestina e que Israel seja responsabilizado por todos estes crimes", conclui a convocatória desta concentração que pretende "elevar a voz de um povo que luta por liberdade e justiça".

Em declarações ao Esquerda.net, a ativista palestiniana Shahd Wadi, sublinha que a concentração coincide com a comemoração da Nakba [Catástrofe] na Palestina, a expulsão da maioria da sua população do território pelos ocupantes iraelitas em 1948. A reação massiva ao assassinato da jornalista é a prova de que "74 anos depois, a Nakba ainda continua" e por isso "este funeral juntou todas as pessoas da Palestina e ouvia-se 'Obrigado Shireen, de Ramallah até Jenine'. "Não foi apenas a morte de Shireen que contribuiu para esta adesão massiva", afirma Shahd Wadi, mas sim a sensação por parte das pessoas de que "já chegaram ao seu limite".

"Shireen não foi a primeira jornalista a ser assassinada pela ocupação israelita, ela foi só mais uma a ser assassinada quando fazia o seu trabalho", recordou a ativista, sublinhando que a concentração de segunda-feira em Lisboa "é importante nesta altura em que parece que com as outras guerras que estão a acontecer as pessoas estão a esquecer a Palestina. Infelizmente, esta morte de Shireen vem lembrar-nos que a ocupação e a guerra na Palestina não terminou e que é preciso a solidariedade internacional e a solidariedade de todas as pessoas".

Funeral de Shireen juntou cristãos e muçulmanos em Jerusalém, por entre bandeiras da Palestina proibidas pela polícia

Baleada a sangue frio por militares israelitas na passada quarta-feira enquanto trabalhava, a última homenagem à jornalista da al-Jazeera Shireen Abu Akleh juntou cristãos e muçulmanos esta seta-feira em Jerusalém. Segundo testemunhas citadas pelo Middle East Eye, a afluência foi apenas comparável ao funeral do dirigente da OLP Faisal Husseini em 2001 na mesma cidade, e maior do que o de Yasser Arafat três anos depois em Ramallah. Durante meia hora, a cidade ouviu os cânticos que saíam dos sistemas de som das mesquitas e os sinos das igrejas cristãs a tocarem a rebate em simultâneo pela primeira vez na história da cidade.

Antes de chegar a Jerusalém, o corpo de Shireen passou pelas cidades de Jenine, Nablus e Ramallah, com milhares de pessoas a juntarem-se aos cortejos que levavam o caixão. Em Jerusalém, a polícia proibiu o uso de bandeiras da Palestina, o que não impediu que muitas pessoas as trouxessem. E impediu também que o caixão fosse carregado pelas pessoas ao longo do cortejo, para evitar uma manifestação de quase três quilómetros até à igreja. As imagens do ataque policial a uma tentativa de sair da morgue com o caixão deram a volta ao mundo.

Chaotic scenes at funeral of Al-Jazeera reporter Shireen Abu Akleh

Após estas cenas de violência, a família de Shireen autorizou que o caixão fosse transportado num veículo funerário e a polícia impediu os presentes de se aproximarem dele, fechando-os no pátio do hospital e só reabrindo os portões quando o carro funerário chegava ao destino, já sem as bandeiras palestinianas com que partira. Após a cerimónia religiosa, voltou a juntar-se um mar de gente para acompanhar a jornalista até ao cemitério, novamente envolta na bandeira palestiniana apesar da proibição policial.

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