Partido Comunista Indonésio: o extermínio esquecido

19 de December 2021 - 14:04

Em 1965, o general Suharto e as forças militares que ele liderava iniciaram o assassinato em massa de membros do PKI, apoiantes e simpatizantes. Este era então o terceiro maior partido comunista do mundo, a seguir ao soviético e ao chinês, com milhões de membros. Entrevista de Thierry M. Labica a John Roosa.

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Militantes do PKI detidos por militares.
Militantes do PKI detidos por militares.

Em outubro de 1965 começou na Indonésia um assassínio em massa de proporções genocidas. Após uma tentativa falhada de prender oficiais de patente superior hostis ao Presidente Sukarno – o principal arquiteto da Conferência de Bandung de 1955 e figura de proa do anti-imperialismo do Terceiro Mundo – as forças militares, lideradas pelo general Suharto, iniciaram a eliminação sistemática do Partido Comunista Indonésio (PKI1): membros do PKI, partido apoiante de Sukarno, e todas as organizações, famílias ou pessoas suspeitas de lhe serem próximas foram exterminados na ordem das centenas de milhares.

Com o encorajamento e a ajuda da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, o terceiro maior partido comunista depois dos da URSS e da China foi exterminado. Assim, a possibilidade de um maior desenvolvimento do socialismo no Sudeste Asiático, num dos maiores países do mundo, desapareceu. Com o extermínio do PKI e o início do longo reinado de Suharto (que durou até 1998), as potências imperialistas completaram e reforçaram com uma peça chave o seu arco de contenção (Tailândia, Malásia, Singapura, Indonésia, Filipinas) da Ásia comunista.

Desde a publicação de “Pretext for Mass Murder” em 2006, o trabalho de John Roosa sobre este acontecimento tornou-se uma referência para quase toda a investigação sobre este país e sobre o Sudeste Asiático nos anos 60. Por ocasião da publicação do seu livro Buried Histories: The Anticommunist Massacres in 1965-66 in Indonesia (The University of Wisconsin Press, 2020), John Roosa aceitou responder a perguntas do Contretemps.


Gostaria de começar pelas circunstâncias em que conduziu a sua investigação e escreveu o seu trabalho sobre a Indonésia ao longo dos últimos vinte anos. O livro sobre o qual vamos conversar é a terceira parte do que constitui agora uma trilogia [1]. Poderia falar-nos primeiro do conjunto deste trabalho de longo prazo desde a primeira publicação (em indonésio) em 2004?

John Roosa: Fui pela primeira vez à Indonésia por razões pessoais em meados dos anos 1990 e as mobilizações quer contra o regime de Suharto [2], quer pela independência de Timor Leste, despertaram o meu interesse por aquele país e encorajaram-me fortemente a dedicar-lhe o meu trabalho. Para além disso, por essa altura teve lugar uma sucessão de acontecimentos importantes: a queda de Suharto em 1998, depois o referendo para a independência de Timor Leste em 1999. Dei por mim intimamente ligado a estes acontecimentos, que comecei a acompanhar de perto, fazendo amizade com várias pessoas que neles estavam envolvidas e solidarizando-me com eles.

No entanto, dada a minha formação como historiador, quis fazer um projeto sobre a história da Indonésia. Fiquei impressionado com o facto dos acontecimentos de 1965-66, quando Suharto tomou o poder e milhares de pessoas foram massacradas, serem ainda bastante pouco estudados. Por isso, a partir do ano 2000, com um grupo de investigadores indonésios, comecei a realizar entrevistas com ex-presos políticos. A nossa prioridade era fazer um simples trabalho de entrevista com todos os prisioneiros que pudéssemos encontrar (no final foram quatrocentos), bem como com os seus familiares em diferentes partes da Indonésia: em Java, Bali e noutros locais. Assim, na origem da minha investigação e trabalho até ao meu livro mais recente, estão as entrevistas orais com ex-prisioneiros políticos, que começaram em 2000.

Como é que, na Indonésia, as condições para esta investigação evoluíram ao longo dos últimos vinte anos? No seu livro refere vários acontecimentos que parecem ter aberto novas possibilidades de estudar o que aconteceu em 1965 e depois. Por exemplo, o livro termina com uma análise da “Conferência” que teve lugar na Indonésia em 2016 [3]. Embora o seu resultado final não tenha trazido grandes novidades, teve pelo menos o mérito de ter ocorrido e no seu livro parece sugerir que ela permitiu um certo discurso público sobre estes eventos. Estou também a pensar na sua referência à abertura de uma coleção no Arquivo Nacional em 2013, ou no fim da censura contra o seu livro de 2006 (Pretext for Mass Murder [4]). Apesar de todas as dificuldades que sempre continuaram a existir, o ambiente de investigação tornou-se globalmente um pouco mais favorável?

Existe por vezes a sensação de que houve sérios retrocessos na própria possibilidade de discurso público, ou de qualquer mobilização política em torno da definição dos direitos das vítimas de 1965-66. Desde a saída de Suharto, em 1998, houve como que um vento de liberdade e as pessoas sentiram que as coisas eram agora possíveis. As elites do país foram apanhadas pelo pânico, pois a sua posição dominante era ainda frágil. Além disso, com a partida de um dos seus no poder – o general Suharto – até o exército se preocupou com o seu futuro (não esqueçamos que Suharto havia permanecido no poder durante trinta e dois anos!). Tudo estava centrado nele e de repente Suharto deixa o poder. Começaram a aparecer manifestações, novos meios de comunicação social, todo o tipo de organizações, e até as próprias vítimas, mantidas como prisioneiros políticos por tempo indeterminado, sem causa, que tinham sido despedidas dos seus empregos, que tinham visto os seus amigos, familiares, camaradas assassinados ou desaparecidos, se começaram a organizar. Viram-se muitas organizações assumirem a tarefa de representar os interesses das vítimas, que agora podiam falar enquanto vítimas e que reivindicavam publicamente esse estatuto: "nós somos vítimas”! Havia diferentes perspetivas sobre estratégia e formaram-se vários grupos, cada um publicando os seus próprios boletins informativos.

Quando comecei a minha investigação, em 2000, havia este tipo de abertura, mas mesmo assim ainda tinha de ser discreto. Não podia trabalhar à vontade, às claras. O exército estava sempre presente. Está presente em todo o lado na sociedade indonésia, atuando como uma super-polícia. O clima de medo e repressão não se tinha dissipado nessa altura. Mas por vezes surgiam fendas nessa época marcada pelo domínio de Suharto, tendo sido assim que consegui realizar, em conjunto com os meus colegas, esta investigação. As vítimas iam saindo das sombras, prontas para aparecerem em público e prestarem o seu testemunho. Algumas delas continuavam aterrorizadas e recusaram ser entrevistadas. Mas muitas falaram.

Em certa medida, tem havido um declínio nas liberdades desde então e uma reafirmação do poder militar. Mas, ao mesmo tempo, vimos uma nova geração cuja doutrinação é diferente da que foram alvo as pessoas que cresceram sob o regime de Suharto. Ainda na semana passada (com a aproximação de final de setembro, início de outubro – período no qual muitos eventos são organizados na Indonésia), um jornal de grande circulação, uma espécie de revista generalista, publicou uma reportagem de primeira página sobre "A Tragédia de 1965". Isto é algo sem precedentes. De certa forma, as coisas estão mais abertas porque estamos a falar de um passado que está agora mais distante. Mas o exército continua a colocar a sua própria versão dos acontecimentos no centro do processo de legitimação do seu poder exagerado sobre a sociedade.

Salienta também, no final do livro, que há igualmente uma série de interesses económicos em jogo e, por isso, que as revelações podem questionar a forma como certos recursos foram monopolizados durante ou como resultado dos acontecimentos de 1965.

É muito difícil, quando se está fora da Indonésia, compreender as especificidades do lugar dos militares nesta sociedade. Trata-se de uma situação invulgar. O exército opera em camadas interligadas, como as bonecas russas, cobrindo todo o país. Isto vai ao ponto de ter pessoal militar em cada aldeia. Essa presença começa ao nível da aldeia com simples soldados ou cabos ali colocados e depois vai subindo de nível até atingir o nível nacional. Existe uma espécie de rede de oficiais de serviço, espalhados por toda a sociedade sem um papel claro. A ambiguidade do seu estatuto significa que não se pode dizer que sirvam realmente os interesses do crescimento económico ou mesmo do crescimento capitalista. Mas, em geral, cumprem uma espécie de função policial, ou de uma força policial adicional à própria polícia, ao serviço dos interesses dos empregadores, para a evacuação de terras, a requisição de terras em nome de uma mina de carvão, ou para novas terras agrícolas. Esse é o seu papel: servir este tipo de interesses patronais. Mas, de passagem, também se ajudam a si próprios, nas costas destas mesmas empresas.

Estes são aspetos centrais do seu livro, principalmente quando insiste que "o exército deve ser definido de maneira mais rigorosa". Mas isto também o leva a formular um argumento mais teórico no qual questiona as leituras de Gramsci que permanecem cegas face ao papel do poder militar concreto e a lamentar igualmente a forma como os debates em torno de Gramsci passaram ao lado dos aspetos em que a trajetória do PKI poderia contribuir para uma compreensão mais completa e profunda dos conceitos gramscianos de "guerra de posição/guerra de movimento". Voltaremos a isto mais tarde. Para já, a compreensão mais fina da questão do exército permite-lhe propor um quadro analítico da dinâmica dos massacres, distinguindo várias categorias de responsáveis, reconhecendo o papel daqueles que se lhes opuseram, distinguindo lugares e fases (ao contrário das explicações predominantes onde prevaleceu uma certa confusão, por vezes um orientalismo crasso, e sobretudo as negações e evasões falaciosas do anticomunismo oficial). Poderia falar-nos um pouco mais sobre o papel e o poder do exército como força social e política no início dos anos 1960, ou seja, na véspera da catástrofe?

O exército, tal como existe hoje, é uma criatura dos acontecimentos de 1965-66. Não foi apenas a ditadura do general Suharto que tomou o poder. Foi o exército como um todo, o alto comando do exército, que tomou conta do Estado. Os militares não se limitaram a tomar conta da burocracia civil para controlar o Estado. Não só tinham o controlo desta dimensão do Estado, como também tinham um governo paralelo sob a forma do comando territorial, que expandiram após 1965, consolidando assim a sua posição de força.

Tudo isto permanece atualmente e representa um obstáculo permanente a qualquer forma de democratização do país. Muitos líderes políticos parecem aceitar isto como a ordem natural das coisas e não tentam mudar nada. Não se ouve muita gente a exigir o fim do comando territorial, exceto alguns oficiais, que estão numa minoria muito pequena, que dizem "temos de ser um exército profissional: estar tão estreitamente envolvido na economia política da Indonésia impede-nos de funcionar como um exército digno desse nome". Os generais tornam-se muito, muito ricos e depois vão para a política. Existe, assim, uma espécie de politização do exército desde o período pós-1965.

Deve recordar-se, contudo, que este comando territorial é anterior a 1965 e toma forma no final dos anos 1950 e início dos anos 1960. Inicialmente, permitiu aos setores conservadores da sociedade confrontarem-se com o Partido Comunista. Entre finais dos anos 1950 e 1965, o partido estava a crescer muito rapidamente e os elementos anti-comunistas da sociedade estavam particularmente preocupados com isso e reagruparam-se por detrás do exército. A elite dos generais era, na sua maioria, anti-comunista. Mas foi um exército que teve as suas origens na revolução dos finais dos anos 1940 que no país é chamada de "Revolução Indonésia". Esta “revolução” refere-se à luta contra os holandeses que tentavam recolonizar as Índias Orientais holandesas no final da década de 1940. Foi uma luta armada. Os holandeses finalmente desistiram em 1949, quando os Estados Unidos decidiram parar o seu apoio financeiro à repressão do que pensavam ser um movimento não-comunista de nacionalistas indonésios.

É uma história interessante. Em 1949, os Estados Unidos descobriram que os nacionalistas indonésios eram anti-comunistas porque no final de 1948 tinham reprimido uma revolta comunista muito limitada. Por isso, podiam contar com o seu anti-comunismo. Para os Estados Unidos não houve qualquer objeção a que estas pessoas obtivessem a sua independência! No Vietname, contudo, os EUA continuaram a fornecer apoio financeiro aos franceses até o exército francês ser derrotado em 1954. Mas os nacionalistas indonésios começaram com o seu próprio Estado em 1950.

Os holandeses tinham partido e o exército era o produto dessa luta. A situação era, portanto, diferente da do exército vietnamita, que era suficientemente forte para travar batalhas contra um exército europeu. Este exército indonésio era, no entanto, muito grande e atravessado por várias tendências políticas; um exército altamente politizado no qual tinham sido formadas alianças com partidos políticos. Uma parte do exército apoiou o PKI. O PKI tinha estado envolvido na educação política, com aulas para soldados e oficiais, no final da década de 1940. E, uma vez alcançada a independência, após 1950, o Partido Comunista continuou a manter contactos com soldados e oficiais que simpatizavam com o PKI, prestando serviços ao PKI, transmitindo informações ao PKI para facilitar o seu trabalho, contribuindo para uma melhor compreensão da situação política.

Sukarno era presidente na altura e tinha assumido a liderança de uma campanha internacional anti-imperialista. Vale a pena notar de passagem que muito foi escrito sobre a Conferência de Bandung em 1955, mas quase não existe referência ao contexto indonésio. E foi uma conferência organizada na Indonésia! Por Sukarno! Mas a questão de saber quem era Sukarno e o que pretendia passou silenciada. E o facto de dez anos depois Sukarno ter sido derrubado e toda a geração de anti-imperialistas ligados a Bandung ter sido massacrada, não aparece nesta literatura recente sobre a Conferência de Bandung... Mas avancemos.

A partir deste período 1950-65, observamos tensões muito fortes entre comunistas, anti-comunistas, diversos setores não comunistas, não francamente hostis ao PKI, mas também não favoráveis. Foi uma conjuntura complicada e o exército fazia parte dela.

Uma das poucas coisas que sabemos sobre o PKI é que foi o terceiro maior partido comunista do mundo depois dos da URSS e da China. Existe tendência para considerar que a referência ao maoísmo é suficiente para se ter uma ideia genérica do que foi o PKI. Ao ler o seu livro compreende-se que as coisas são muito menos simples e muito mais específicas, especialmente se se quiser compreender a extrema vulnerabilidade desta organização, aparentemente tão poderosa, mas cujos membros foram exterminados de uma forma impiedosa, quase sem defesa. O que nos pode dizer sobre o comunismo indonésio, sobre a sua singularidade, no início dos anos 60, na véspera destes acontecimentos?

Não creio que a literatura sobre o PKI, em geral escrita por académicos estrangeiros, tenha captado adequadamente a natureza tanto da atividade da base do partido como das posições teóricas mais específicas. Do lado da atividade da base, as análises existentes não conseguem explicar o enorme crescimento do partido. Existem explicações culturais que associam o partido a características da cultura javanesa (o PKI estava centrado em Java, a ilha mais populosa da Indonésia). Há também as explicações malthusianas, que são bastante disparatadas: a pressão demográfica sobre a terra causa pobreza e os pobres apoiam o PKI… Bem, não faltam explicações culturais ou demográficas deste tipo.

Mas eu quis olhar para estes acontecimentos remontando aos anos 1920, quando o partido começou a organizar-se, com os seus ativistas de base que construíam mobilizações populares em aldeias, fábricas e locais de trabalho, verdadeiros heróis, muito apreciados e respeitados pelos pobres, e cuja rede se estendeu a toda a Indonésia. Para compreender a origem do partido e do seu público crescente, é para aqui que temos de olhar!

Em 1955, nas primeiras eleições parlamentares, o PKI ficou em quarto lugar, próximo dos principais partidos, e estava assim entre os quatro maiores partidos. Cada um deles tinha pouco mais de vinte por cento e nenhum dos partidos tinha uma clara vantagem sobre os outros. O PKI era um deles, o que era muito importante nessa altura. Muitas pessoas ficaram surpreendidas e os anti-comunistas ficaram chocados: de onde vieram todas estas pessoas? Muitos não sabiam nada sobre esta intervenção nas massas que se desenrolava desde os anos 1920, com todos estes militantes respeitados pelos pobres que os viam como seus protetores, defendendo os seus interesses.

O PKI foi construído sobre esta base, que estava já bem estabelecida no início da década de 1950, apoiando-se na reputação dos seus ativistas na luta pela independência. Com a proteção de Sukarno contra a repressão de várias elites que o queriam atacar, o partido pôde crescer ainda mais.

Este acordo com Sukarno remonta principalmente a 1959, quando Sukarno lançou a política de "Democracia Orientada" [5], apoiada pelo PKI, que então erigiu Sukarno como o líder do partido fora do partido, que devia ser seguido e protegido. Mas, em troca, foi necessário moderar algumas intervenções e virar-se mais para a construção do partido e o recrutamento de um maior número de militantes. Foi assim possível agir de forma mais aberta durante estes seis anos de "democracia orientada", sem medo de repressão. O PKI aproveitou esta situação e atraiu muitas pessoas para as suas fileiras (não é claro quantas: é verdade que o partido inflacionou sempre os seus números anunciando milhões de membros, mas também é um facto que esse apoio foi maciço). Havia de facto milhões – não sabemos exatamente quantos – de membros, apoiantes de uma ou outra forma, em diferentes organizações de massas. O PKI criou um grande número dessas organizações, que utilizava como uma espécie de montra, mas que permitiam a qualquer pessoa apoiar o partido sem se tornar um membro de pleno direito. Isto incluía camponeses, mulheres, trabalhadores, artistas, etc. (sendo a organização juvenil a própria do partido).

Então as organizações de mulheres (Gerwani) e de artistas (Lekra) eram filiadas, mas não formalmente organizações do PKI?

Exatamente. O Partido desejava mesmo isso. Os líderes do partido ainda tinham a ideia de que, para se tornar membro do partido, as pessoas precisavam de ter tido formação política, ou de ter feito um trabalho organizativo importante, para uma greve, ou qualquer outra intervenção que lhe permitisse provar o seu valor. Assim, queriam ter este tipo de estruturas intermédias para simpatizantes que ainda não podiam aderir ao partido. Em alguns casos, o partido poderia mesmo explicar às pessoas que quisessem aderir que seriam mais úteis ao aparecerem como não-comunistas.

O PKI falava de uma "luta pela hegemonia". Tratava-se de construir esta hegemonia através destas organizações políticas civis, não armadas, que intervinham nas instituições políticas existentes, nomeadamente nas peculiares instituições da "Democracia Orientada". E tiveram um sucesso considerável neste objetivo.

Ao contrário de outras organizações comunistas noutras partes do mundo, o PKI não tinha ninguém para teorizar a sua prática. A sua literatura resumia-se mais a chavões, ideias feitas, seguindo as orientações soviéticas e chinesas. Mas no seu trabalho de massas recorreu aos seus próprios esboços teóricos que merecem ser valorizados. Com isto quero dizer que se trata em grande parte de uma espécie de quadro gramsciano. Apesar do PKI não ter ouvido falar de Gramsci, que tinha formulado as suas ideias na prisão, o partido praticava-as nas suas ações. Por isso, quem se interessa por Gramsci deve estar interessado no trabalho do PKI na medida em que foi quer a versão mais bem-sucedida de uma prática gramsciana quer o seu maior fracasso.

Poderia falar-nos um pouco mais sobre isto? No seu livro, faz uma crítica bastante severa a alguns especialistas em Gramsci por negligenciarem a questão central do poder militar como componente determinante neste contexto.

Vou ter de desenvolver mais este argumento, que mal é abordado neste livro, no qual tento fazer várias coisas ao mesmo tempo. Não creio que o PKI tenha sido entendido em termos da sua estratégia militar. Ao mesmo tempo que mobilizava muitos civis, mantinha relações com membros das forças armadas. O partido utilizou as forças armadas e vice-versa. Depois, em 1965, o líder nacional do PKI, D. N. Aidit (este é o tema do meu livro de 2006, Pretext for Mass Murder), pretendia utilizar esta presença clandestina do partido no seio do exército para levar a cabo uma ação de purga da liderança militar. Aidit recorreu a esta dimensão clandestina e não oficial do partido, a esta rede de simpatizantes no exército, para passar à ação. Mas foi um fracasso que foi atribuído a todo o partido, cujos militantes foram perseguidos e assassinados. O livro Buried Lives centra-se principalmente nesta violência contra os militantes do partido.

Mas eu quis mostrar que o PKI não era apenas uma organização civil. Era certamente uma organização civil em primeiro lugar e lutava pela hegemonia na sociedade civil. Mas também tinha esta outra dimensão e tinha uma estratégia para lidar com a constante ameaça de repressão. O partido tinha sido um alvo regular de ataques desde o seu início nos anos 1920 e tinha aprendido a viver com esta hostilidade. Depois de 1950, a tática era confiar na ala subterrânea do partido para frustrar a repressão militar. Depois de 1959, quando mobilizou ainda mais pessoas, o partido apoiou-se em Sukarno, o comandante-chefe das forças armadas, e estava seguro enquanto Sukarno permanecesse no poder.

O número de pessoas que aderiram ao PKI antes de 1965 é um indicador do maior sucesso desta estratégia. No entanto, o seu fracasso subsequente esteve ligado à escolha, por volta de 1965, do caminho a seguir para se proteger contra as crescentes ameaças dos generais de direita e pró-EUA. O partido pensou que poderia sobreviver à repressão que, pensava-se, seria comparável ao episódio de 1951, com a prisão de um número considerável de militantes. Pensou que poderia fazer frente às detenções. Mas foi muito pior e ninguém tinha sequer imaginado o que iria acontecer, entre massacres e desaparecimentos de pessoas detidas.

Voltando à questão sobre Gramsci: temos esta instituição, o PKI, um partido comunista cuja dimensão gramsciana não foi tida em conta. Essa dimensão, ou essa ligação, tem de ser reconhecida. Mas quando nos voltamos para Gramsci, temos de mudar a nossa perspetiva e pensar no modo como o partido comunista integra a questão da coerção. Era simplesmente um grande partido político orientado para a legalidade e métodos pacíficos? Não. O PKI tinha uma estratégia militar. Qualquer partido que mobilize as massas tem de ter uma estratégia que inclua uma visão militar de uma forma ou de outra. Não se trata apenas da questão de ter uma ala militar. Parece-me que um dos elementos mais inteligentes que emerge da literatura sobre Gramsci é a natureza mutuamente não exclusiva da relação entre "guerra de posição" e "guerra de movimento", ou o facto de que quando uma organização de esquerda organiza uma greve, por exemplo, essa greve poder incorporar elementos de coerção para evitar o aparecimento de fura-greves ou para se proteger contra a polícia.

Qual foi o papel do Islão no seio do comunismo indonésio?

Quando o partido foi formado em 1920, uma das suas principais estratégias organizacionais foi utilizar como base uma organização existente e muito popular em Java Central: a Associação Islâmica (Sarekat Islam). O PKI também organizou trabalhadores industriais, estivadores e trabalhadores ferroviários. Mas, para ganhar mais espaço, integrou a Associação Islâmica e, ao fazê-lo, reconheceu o Islão como uma religião de justiça social.

Havia muitos estudiosos do Islão, nos anos 1920 em Java (os Kyais), que apreciavam o Partido Comunista e viram no seu ideal de justiça social o próprio objetivo do Islão. O princípio orientador para qualquer bom muçulmano era lutar pela justiça social. Para esta geração das décadas de 1920 e 1930, a aliança entre o comunismo e o Islão foi de grande importância. A situação mudou nos anos 1940 com a ascensão do nacionalismo após 1945, quando a natureza da mobilização política se diversificou; as organizações islâmicas não eram as únicas a lutar pela independência da Indonésia e o partido perdeu este forte elo com esse tipo de teologia da libertação islâmica. No entanto, algo desse espírito permaneceu após 1945 e muitos continuavam a considerar que essa relação fazia sentido.

Na independência, e depois de 1950, a escolha do partido foi simplesmente evitar a questão religiosa. A religião é um assunto pessoal de cada um: "Não somos antirreligiosos, a religião é um assunto privado, um direito que cada um tem de escolher a religião que quer ou de não ter religião alguma”. Muitos apoiantes do PKI eram muçulmanos e assim permaneceram. Os líderes nacionais do partido foram frequentemente retratados como ateus, mas não tentaram promover o ateísmo entre as fileiras do partido. Mais uma vez, cabia a cada indivíduo determinar que religião queria seguir, se era budismo, hinduísmo, cristianismo... Não era da conta do partido. Em 1965 havia ainda algumas pessoas no partido para quem esta questão continuava a ser importante, que escreviam sobre ela, que sentiam que, de acordo com a "interpretação correta do Islão" a prioridade era a justiça social.

O seu livro centra-se nas dinâmicas internas específicas da sociedade indonésia onde apareceram as formas mais extremas de violência sistemática. Por essa razão apenas se refere brevemente a uma dimensão que seria mais familiar, ou pelo menos mais previsível, para muitos leitores: o papel dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha e o seu grau de envolvimento nesta história. Sem diminuir em nada as forças em jogo na sociedade indonésia que estiveram envolvidas nestes terríveis acontecimentos, que importância deve ser atribuída à política britânica e americana? Estou a pensar em particular no facto de, dois anos antes, em 1963, ter tido início a "Confrontação" militar ("Konfrontasi"[6]) entre a Indonésia e a Grã-Bretanha, que tentava perpetuar a sua base imperialista na região (agora descolonizada) com a criação de uma nova entidade nacional-territorial, a Malásia, depois de ter lutado contra uma poderosa insurreição comunista e pró-independência na Federação Malaia (1948-1957) durante quase uma década. Os britânicos tinham-se tornado muito hostis a Sukarno que lutava contra este projeto. O que devemos então pensar destes poderes externos e que importância devemos atribuir-lhes nestes acontecimentos de 1965?

Não abordei muito os atores externos, em especial os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, porque outros historiadores e escritores já o fizeram muito bem. Utilizei documentos americanos aqui e ali e também escrevi extensivamente sobre eles noutros livros. Mas penso que isto pode levar a uma sobrestimação do papel dos EUA, sugerindo que Suharto e o seu exército apenas agiram de acordo com o que os EUA lhes disseram para fazer. Creio que as dinâmicas envolvidas são mais complicadas na medida em que os Estados Unidos, a partir do final dos anos 1940, deixaram claro aos anti-comunistas na Indonésia que encaravam a agressão contra os comunistas de forma muito favorável. Mas os EUA deixaram que fossem as forças locais em várias partes do mundo a decidir a melhor forma de o fazer. Intervieram diretamente, em alguns casos, quando estas forças locais foram incapazes de levar a cabo a repressão. Mas na Indonésia, o sinal consistente dos EUA foi claro: "Somos anti-comunistas. Consideramos útil a violência contra os comunistas. Encorajamos essa violência”.

A política dos EUA era muito coerente deste ponto de vista, e os generais do exército compreenderam, a partir do final dos anos 1940, que a repressão aos comunistas seria recompensada pelos EUA por um apoio da sua parte. Portanto, parte desta dinâmica de violência contra o PKI teve a ver com a forma como os generais indonésios queriam apresentar o seu registo anti-comunista aos americanos, enviando uma mensagem do estilo: "Olhem, aqui estão todos estes comunistas mortos; então o que é que nos dão?”. E queriam muitas coisas. Iam assumir o poder estatal em 1965 e precisavam de muito investimento estrangeiro, ajuda estrangeira, ajuda militar, e todos estes comunistas mortos foram utilizados pelo exército indonésio para enviar a mensagem aos Estados Unidos, à Grã-Bretanha e ao resto do mundo: "Somos anti-comunistas e eliminámos o partido comunista. Era isso que queriam. Onde está o dinheiro?" Era este o nível a que se colocava a questão!

Foi isso que me levou a utilizar estas imagens de comunistas que tinham sido assassinados em Palembang, atirados ao rio Musi, submersos pela passagem dos petroleiros.

No seu recente livro, The Jakarta Method, também publicado em 2020, o jornalista Vincent Bevins [7] dedica-se a mostrar que o extermínio do PKI serviu de modelo no contexto mais vasto da luta da Guerra Fria – particularmente na América Latina – contra o comunismo e tudo o que estivesse remotamente relacionado com ele. A sua demonstração é convincente? E, a propósito, Bevins, que baseia a sua referência à Indonésia diretamente no seu livro, Pretext for Mass Murder, diz ter deixado de fora algumas das suas análises que alguns consideraram "controversas" [8]. A que controvérsia se refere Bevins?

Sobre a tese descrita no livro The Jakarta Method penso que Bevins está certo e constitui um elemento que não tem sido apreciado ou reconhecido ao longo dos anos. Relativamente à violência nos anos 1970 contra Allende no Chile, a junta na Argentina e a violência na América Central, os estudiosos sobre a América Latina que se interessaram pelo assunto de facto não perceberam que estas forças militares no continente sul-americano, formadas nos Estados Unidos, foram-no a partir desta lição da indonésia.

Todos sabem que foram formados nos Estados Unidos, na School of the Americas [9]. Para além disso, existia também a mensagem dos EUA, baseada na eliminação definitiva do PKI: "tu também podes fazê-lo. Vê o que aconteceu na Indonésia. Eles não se limitaram a prender alguns líderes do PKI, mas mataram todos aqueles que faziam parte do movimento! Mataram-nos em massa! E agora já não existe nenhuma ameaça por parte do Partido Comunista na Indonésia”. O que Vincent Bevins revela pela primeira vez de uma forma muito documentada é o conhecimento que os líderes militares latino-americanos tinham do que tinha acontecido na Indonésia e como replicavam este modelo…

"Yakarta viene", "Jakarta se acerca", "Jakarta está a chegar"! (Um slogan cuja aparição Bevins situa na América Latina na altura).

...Quanto à "controvérsia" a que Bevins se refere, penso que algumas pessoas estão relutantes em envolver, como eu faço, a liderança do PKI no Movimento de 30 de setembro [no qual seis generais de direita foram assassinados]. A versão oficial do partido depois de 1965 era a de que não tinha tido nada a ver com isso. Pelo contrário, eu mostro que o partido estava de facto envolvido. Os pormenores são bastante complexos porque tocam na relação entre Aidit, o Gabinete Especial [10] e estes oficiais militares. Mas muitas pessoas preferiram não desafiar a negação do PKI, agora de longa data, de qualquer responsabilidade no Movimento 30 de Setembro...

Dez anos mais tarde, em 1975, o exército indonésio semeou a destruição e morte em grande escala em Timor Leste. Em que medida foi isto uma repetição dos acontecimentos de 1965-66? Que ligações podem ser estabelecidas entre os dois episódios?

Se a Indonésia tivesse estado sob um tipo de governo diferente em 1975, não dominado pelos militares, a política adotada em Timor Leste teria provavelmente sido diferente e não teria existido uma invasão. Mas os militares indonésios, com a sua operação maciça contra o PKI, tinham ganho a confiança de que poderiam usar uma força esmagadora para forçar os timorenses de leste a submeterem-se. Os militares esperavam a submissão total após três semanas de invasão. E houve uma espécie de dinâmica que foi alimentada no seio das forças armadas até 1999: os militares continuaram a assumir que mais violência levaria os timorenses a renunciar à sua independência. Penso que existe uma relação entre os dois episódios: se a Indonésia não tivesse sido um Estado militar, dominado pelos militares, em 1975, poderia ter sido seguida uma abordagem diferente.

Para terminarmos, agora que escreveu a terceira parte desta trilogia iniciada há vinte anos qual será o próximo passo no seu trabalho?

Bem... estou cheio de trabalho! Em primeiro lugar, quero desenvolver este argumento gramsciano que apresentei no livro. Preciso de desenvolver interpretações adicionais sobre o Movimento 30 de Setembro à luz de algumas das críticas que me têm sido dirigidas desde o meu livro de 2006. Neste momento estou a escrever mais sobre as obras de ficção literária acerca da violência de 1965-66. Mas, para além disso, o maior projeto é escrever sobre as ideias de Constituição nos anos 1950: houve uma assembleia constitucional de 1956 a 1959, foi um fórum em que várias pessoas expressaram os seus ideais políticos e imaginaram as formas jurídicas que esses ideais poderiam assumir. Gostaria de escrever mais sobre estas questões, sobre estas ideias relativas ao direito, sobre a Constituição (e menos sobre a violência sobre a qual tenho trabalhado muito), também de modo a olhar para a violência legítima, analisar como basear um Estado sobre a lei e exercer a violência legítima; algo, portanto, sobre aquele momento, nos anos 50 na Indonésia, em que foi formulada a possibilidade de um quadro constitucional que pudesse reduzir o exercício da violência.


John Roosa é chefe do Departamento de História da Universidade da Colúmbia Britânica e especialista no sudeste asiático, nomeadamente na Indonésia.

Entrevista e tradução do inglês por Thierry M. Labica para a Contretemps. Entrevista datada de 1 de setembro de 2021. Traduzido para português por Paulo Antunes Ferreira para o Esquerda.net.


Notas do tradutor para francês

[1] Após ter começado com "uma investigação em história oral a partir de 2000, não me concentrei no Movimento 30 de Setembro [golpe falhado contra os generais de direita, NT] nem no assassinato em massa, mas sim nas experiências dos presos políticos e suas famílias depois de 1965. O resultado desta investigação foi co-editado num volume de contribuições em indonésio publicado em 2004: Tahun yang Tak Pernah Berakhir [L’année sans fin]. Estes três livros formam uma trilogia sobre os acontecimentos de 1965-66.”, John Roosa, Buried Histories, p. 23.

[2] O general Suharto tomou o poder após a tentativa falhada de purga contra seis generais anti-Surkarno. Permaneceu no poder até 1998. Foi sob a sua liderança que alguns dos piores massacres da segunda metade do século XX foram cometidos, na Indonésia em 1965 e a partir do final de 1975 em Timor Leste, que foi invadido pelo exército indonésio na sequência da declaração de independência da antiga colónia portuguesa. A ocupação de Timor Leste durou até ao referendo de 1999. Ver o documentário de John Pilger 'Death of a Nation: The Timor Conspiracy' (1994).

[3] Organizado oficialmente em abril de 2016, este simpósio representou "uma rutura sem precedentes após cinquenta anos de silêncio oficial. Foi o primeiro debate público organizado pelo governo indonésio sobre a violência de 1965-66". Estes dois dias de debate contaram com a presença de pessoas de diferentes posições, "incluindo responsáveis pelos crimes e vítimas. Antigos presos políticos e antigos apoiantes do PKI foram autorizados a falar sobre as suas experiências e aspirações [...] Jornalistas e operadores de câmara estavam presentes em todo o lado. Os organizadores providenciaram que os debates fossem transmitidos em direto para que os indonésios de todo o país e do resto do mundo os pudessem seguir”. J. Roosa, Buried Histories, p.254

[4] Livro agora citado pela maioria das obras sobre a Indonésia: John Roosa, Pretext for Mass Murder: The September 30th Movement and Suharto's Coup in Indonesia, Madison: University of Wisconsin Press, 2006.

[5] A política de "Democracia Orientada" foi adotada de 1959 a 1965, suspendeu o sistema eleitoral e colocou o poder judicial sob a autoridade de Sukarno. Roosa defende que, sob a aparência ditatorial, Sukarno manteve "o equilíbrio entre as forças existentes sem ter controlo sobre elas. Sem controlo real sobre a instituição detentora do poder das armas, o exército, também não tinha controlo sobre um partido político que mobilizasse um grande número de civis [...]". Buried Histories, p.35. A "democracia orientada" foi a resposta de Sukarno à situação de crise separatista do final dos anos 50, desencadeada por forças pró-EUA, anti-comunistas/anti-Javanesas nas ilhas de Sumatra e Sulawesi (Ilha Sulawesi) apoiadas pelos EUA, Grã-Bretanha e pela subjugada Malásia "independente".

[6] "Konfrontasi" foi o nome dado ao confronto armado ocorrido a partir de 1963 entre a Indonésia de Sukarno e as forças militares britânicas. A Grã-Bretanha, após conceder a independência à Malaia em 1957, criou uma nova federação de territórios, a Malásia, incluindo a antiga Malaia, Singapura (com a sua grande base naval britânica) e os territórios britânicos de Sabah e Sarawak no norte de Bornéu. A federação da Malásia foi um projeto britânico pós-colonial e neo-imperialista explicitamente concebido com o objetivo da luta anti-comunista no Sudeste Asiático, uma luta que expandiu e consolidou grandemente o cerco do Vietname e da China. O derrube de Sukarno foi uma das prioridades desta estratégia.

[7] Vincent Bevins, The Jakarta Method: Washington's Anticommunist Crusade & the Mass Murder Programme that Shaped Our World, Public Affairs, 2020.

[8] Ibid. p.130 e p.291, notas 46 e 47.

[9] A Escola Militar das Américas foi criada em 1946 na região do Canal do Panamá (com o nome de Centro de Informação da América Latina antes de se tornar a Escola das Américas em 1963). Foi deslocalizada para os Estados Unidos, na Geórgia, nos anos 80. Treinou dezenas de milhares de militares, polícias e civis de toda a América Latina que organizaram a tortura, os assassinatos, os desaparecimentos e a repressão de todos os movimentos populares, em nome da luta "contra-revolucionária" e "anti-comunista".

[10] O “Gabinete Especial” foi criado pelo líder do PKI Aidit para “vigiar oficiais anti-comunistas e atrair apoio dentro do exército”. Buried Histories, p. 46.

1 Partido Comunista da Indonésia (no original indonésio: Partai Komunis Indonesia, PKI) foi um partido comunista na Indonésia durante meados do século XX. Foi alvo de uma brutal e violenta erradicação em 1965 e proibido no ano seguinte.