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O interrogatório aos imperadores da economia digital

Jeff Bezos, Sundar Pichai, Mark Zuckerberg e Tim Cook, respetivamente os CEOs da Amazon, Alphabet (Google), Facebook, e Apple, foram esta terça-feira sujeitos duras críticas no Congresso dos EUA com acusações de monopólio do mercado mundial e “excesso de poder”.
Jeff Bezos, Sundar Pichai, Mark Zuckerberg e Tim Cook, os imperadores da economia digital. Montagem esquerda.net.
Jeff Bezos, Sundar Pichai, Mark Zuckerberg e Tim Cook, os imperadores da economia digital. Montagem esquerda.net.

A sub-comissão da Concorrência do Congresso dos Estados Unidos da América começou a investigar oficialmente o domínio do mercado digital mundial por parte destas quatro multinacionais há cerca de um ano.

As sessões de interrogatório aos quatro líderes começaram com a acusação, do presidente da comissão, de que estas multinacionais são gigantes que impedem qualquer a democracia. “Os nossos fundadores não se vergaram perante o Rei. E nós não nos deveríamos vergar perante os imperadores da economia digital”, disse o congressista democrata, segundo noticia o The Guardian.  

O comportamento predatório destas empresas é exemplificado pela forma como a Google utiliza a hegemonia do seu motor de busca. Quando a Google começou a roubar as avaliações de estabelecimentos comerciais publicadas na Yelp, direccionando os utilizadores para o seu próprio sistema de avalição, a Yelp pediu à Google para parar. A resposta foi a ameaça da Google em simplesmente eliminar a Yelp das listas do seu motor de busca, objetivamente levando a Yelp à falência.

“Os factos parecem evidenciar de forma clara que, conforme a Google se tornou o portal da internet, começou a abusar do seu poder”, disse o presidente da comissão.

Por seu lado, Zuckerberg foi questionado sobre a aquisição do Instagram em 2012. Os documentos apresentados como prova pela comissão revelam que a Facebook avançou com a aquisição para neutralizar a ameaça competitiva que ela apresentava, violando diretamente as leis contra a concentração económica em vigor.

Em julho de 2019, o Facebook anunciou que iria lançar uma criptomoeda digital que permitiria aos utilizadores de WhatsApp e Messenger enviar dinheiro entre si e adquirir produtos. Uma iniciativa que daria a Zuckerberg o poder não só de conhecer os movimentos financeiros mas também os hábitos e gostos de cada pessoa. 

Jeff Bezos, CEO da Amazon, foi acusado de recorrer a metadados de empresas externas para tomar decisões comerciais, algo que contraria as garantias de outro executivo da Amazon também no Congresso, e de favorecer os seus próprios produtos na gestão das entregas durante a crise pandémica.

Zuckerberg e Bezos recorreram ao mito americano para se defenderem com a sua biografia pessoal. O chefe da Amazon relembrou que as origens humildes dos seus pais, e Zuckerberg afirmou que “começámos do nada e fornecemos produtos superiores a que as pessoas dão valor”. “As empresas não são más apenas por serem gigantes”, acrescentou.

Já o CEO da Apple, Tim Cook, foi questionado sobre a transparência do processo de avaliação da App Store, a loja online da Apple onde programadores podem vender os seus programas para dispostos com iOS. “As regras são inventadas ao longo do processo e os programadores são obrigados a aceitarem as regras ou a abandonarem a loja”. “Isso é uma enorme concentração de poder”, afirmou o congressista Hank Johnson. Cook rejeita a acusação de monopólio porque 84% das aplicações são grátis.

As preocupações dos congressistas republicanos foram distintas, ignorando o problema económico e concentrando-se apenas em alegações de viés anti-conservador nas plataformas sociais, e de trabalharem para silenciar Donald Trump nas eleições presidenciais que se aproximam, acusações difíceis de compatibilizar com a recusa absoluta de Zuckerberg em impedir campanhas de ódio na Facebook, instrumento essencial para a vitória de Trump em 2016.

Em 2019, a congressista Alexandria Ocasio-Cortez questionou Mark Zuckerberg sobre o efeito objetivo de apoio ao discurso de ódio que a suposta neutralidade da Facebook permite. Pode ver aqui no vídeo (em inglês).  

 

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