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Novo Banco: Centeno não esclarece se pôs lugar à disposição

Mariana Mortágua perguntou a Centeno se colocou o seu lugar à disposição antes de atacar os críticos da injeção de capital sem esperar os resultados da auditoria. Mariana Mortágua considerou as palavras do ministro como “acusações a António Costa”. Pouco depois, Marcelo Rebelo de Sousa veio sublinhar a diferença entre pagar antes ou depois da conclusão da auditoria à gestão do banco.
Mário Centeno
Mário Centeno. Foto União Europeia @

Esta manhã, na comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República, Mariana Mortágua questionou o ministro Mário Centeno se este “colocou o seu lugar à disposição” antes das suas declarações iniciais na audição, onde apelidou de atitudes impensáveis e irresponsáveis as críticas em relação ao recente processo de capitalização do Novo Banco.

A deputada confrontou o ministro das Finanças com a aprovação da transferência de 850 milhões de euros para a capitalização do Novo Banco “sem esperar pelos resultados das auditorias que estão em curso, apesar de um compromisso assumido pelo Primeiro-Ministro”. Mariana Mortágua disse ainda que o ministro “pode concordar ou não com esse compromisso”, relembrando que “este foi feito, e é público”, pelo primeiro-ministro.

António Costa assumiu publicamente no debate quinzenal de 22 de abril que "a auditoria sobre o Novo Banco que determinamos está em curso, só estará concluída em julho, e é fundamental para fazer as decisões que temos a fazer". 

O primeiro-ministro confirmou-o novamente no debate da semana passada, onde, em resposta à pergunta de Catarina Martins sobre o Novo Banco, disse: “A resposta que tenho para lhe dar não tem grande novidade relativamente à última vez que me fez a pergunta, ou seja, a auditoria está em curso e até haver resultados da auditoria não haverá qualquer reforço do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução para esse fim”.

Depois de acusar o PM, o ministro das Finanças não respondeu sobre se colocou o seu lugar à disposição. Voltaremos ao...

Publicado por Mariana Mortágua em Quarta-feira, 13 de maio de 2020

Marcelo sublinha diferença política entre injetar dinheiro antes ou depois da auditoria

Ao lado de António Costa numa visita à Autoeuropa, o Presidente da República também comentou o episódio insólito da transferência de 850 milhões de euros do Ministério das Finanças para o Novo Banco sem o conhecimento do primeiro-ministro.

"É politicamente diferente o Estado assumir responsabilidades dias antes da auditoria ser conhecida ou a auditoria ser conhecida dias antes de o Estado assumir responsabilidades", afirmou Marcelo, sublinhando que ele próprio já tinha pedido uma auditoria à gestão do banco resgatado após o colapso do BES e vendido em seguida a um fundo de investimento.

Marcelo Rebelo de Sousa disse duas vezes que António Costa "tinha estado muito bem no Parlamento" e que o que dissera "faz todo sentido", o que é lido como uma crítica implícita a Mário Centeno. Poucos minutos antes destas declarações, Marcelo ouviu o primeiro-ministro convidá-lo para regressarem à Autoeuropa para um almoço no primeiro ano do seu próximo mandato presidencial.

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