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“Na resposta à crise, Lusa mostra que vale cada cêntimo que reivindica e não recebe”

Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da Lusa volta a alertar para as dificuldades financeiras da empresa, adensadas pela pandemia, e garante que se vai bater “para que o Estado não ignore a necessidade de reforçar a agência, os seus meios e o seu papel neste contexto de crise”.
Foto de António Cotrim, Lusa.
Foto de António Cotrim, Lusa.

Na missiva, datada de 28 de abril, a Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa começa por saudar as medidas aplicadas pela empresa na proteção dos trabalhadores e mostra-se disponível para colaborar com o que for necessário no gradual regresso à normalidade.

 A CT informa ainda que questionou o Presidente do Conselho de Administração (PCA), Nicolau Santos, sobre o processo orçamental e as dificuldades da Lusa, e que, de acordo com a informação prestada, a empresa continua sem orçamento aprovado e será discutida esta semana uma nova versão tendo em conta que a Lei do Orçamento do Estado deste ano inclui uma verba de 1,5 milhões de euros destinada à Lusa.

Ainda assim, Nicolau Santos advertiu que não é “evidente a origem financeira da mesma para a sua execução” e que “o orçamento vai ser ajustado em baixa”, tanto em receitas próprias como em gastos operacionais, neste caso devido a “adiamentos de eventos desportivos de 2020”. “Com a atual situação de pandemia a elaboração do orçamento 2020 tornou-se ainda mais difícil devido á imprevisibilidade quase total do futuro próximo”, frisou.

No que concerne à renegociação do contrato-programa da Lusa com o Estado, o PCA indicou que a empresa mantém reuniões com o Ministério da Cultura. A proposta de contrato está a ser adaptada, inclusive para ajustar a devolução anual ao Estado, para posteriormente ser encaminhada ao Ministério das Finanças. “Em caso de concordância segue-se a assinatura e envio para Tribunal de Contas, processo que deveria decorrer durante o segundo semestre” de 2020, explicou Nicolau Santos.

 A CT considera que a “utilização do serviço da Lusa pelos ‘media’ na crise provocada pelo novo coronavírus mostra ainda com maior clareza a importância da agência para o setor e para Portugal no mundo”.

“A capacidade como todos nos estamos a conseguir adaptar e a aumentar a produção para níveis inéditos é um impressionante retrato da entrega e profissionalismo dos trabalhadores da Lusa”, escreve, sublinhando que na resposta a esta crise, a empresa “está a mostrar que vale cada cêntimo que reivindica e não recebe”.

A CT defende que é fundamental que a Lusa não abdique das reivindicações em cima da mesa, preserve direitos, empregos e os rendimentos de todos os trabalhadores e colaboradores.

“Para isso, o acionista Estado não pode amputar a agência de meios financeiros, sendo inaceitáveis cortes como os que aconteceram em anos anteriores, num momento em que as receitas próprias da agência deverão sofrer impactos face aos problemas financeiros dos clientes”, refere deixando ainda a garantia de que “vai bater-se para que o Estado não ignore a necessidade de reforçar a agência, os seus meios e o seu papel neste contexto de crise”.

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