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Morreu Gonçalo Ribeiro Telles

Figura pioneira na arquitetura paisagista, na ecologia e cidadania política, Gonçalo Ribeiro Telles morreu esta quarta-feira, em Lisboa, aos 98 anos. Governo decretou um dia de luto nacional para quinta-feira.
Gonçalo Ribeiro Telles em 2011, na homenagem em seu nome organizada na Fundação Calouste Gulbenkian.
Gonçalo Ribeiro Telles em 2011, na homenagem em seu nome organizada na Fundação Calouste Gulbenkian. Foto via Lusa (arquivo).

O arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles morreu esta quarta-feira à tarde, em casa, rodeado pela família, aos 98 anos, avança a agência Lusa.

Nascido a 25 de maio de 1922, foi uma figura pioneira na arquitetura paisagista em Portugal, foi um destacado militante pela ecologia e cidadania política.

Entre os projetos que desenvolveu ao longo da sua rica vida profissional, destacam-se os Corredores Verde de Lisboa e os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, obra assinada em conjunto com António Viana Barreto e distinguida com o Prémio Valmor em 1975.

Licenciado em Engenharia Agrónoma e Arquitetura Paisagista no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, iniciou a vida profissional na Câmara Municipal de Lisboa, onde trabalhou com Francisco Caldeira Cabral, com quem viria a publicar "A Árvore em Portugal".

Figura maior do movimento ecológico, Ribeiro Telles desenvolveu uma prática de intervenção na paisagem e no território, sendo responsável pelo lançamento da política de ambiente em Portugal, cuja legislação desenvolveu enquanto responsável de vários cargos públicos, nomeadamente como ministro de Estado e da Qualidade de Vida, entre 1981 e 1983.

Antes do 25 de Abril, apoiou a candidatura de Humberto Delgado em 1958 e foi um dos candidatos monárquicos nas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD). Em democracia fundou dois partidos: o Partido Popular Monárquico em maio de 1974 e o Movimento Partido da Terra em 1993. Afastado da vida partidária, manteve a intervenção cívica e política e apoiou a associação "Lisboa é muita gente", que candidatou José Sá Fernandes à Câmara Municipal de Lisboa com apoio do Bloco de Esquerda. Foi também um dos fundadores do Centro Nacional de Cultura (CNC).

O presidente da associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, diz que o arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles foi “absolutamente marcante” para o território atual e que o país lhe deve muito. 

O Governo decretou quinta-feira, 12 de novembro, como dia de luto nacional em honra de Gonçalo Ribeiro Telles. 

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