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Marrocos: Alunas universitárias fazem frente a abusos sexuais

A justiça está a investigar vários casos de abusos sexuais de professores. São acusados de exigir relações a estudantes em troca de boas notas.
#MetooUniv | Foto de Moroccan Outlaw 490 | Twitter

A maioria dos casos de abuso sexual que chegavam à comunicação social não tinham nenhum seguimento oficial na justiça, mas isto acaba de mudar com as recentes denúncias de chantagem sexual de professores universitários a alunas em troca de boas notas, segundo o jornal El País.

A associação Moroccan Outlaw 490, fundada pela cineasta marroquina Sónia Terrab, criou, no passado mês de dezembro, a tag de Instagram #MetooUniv. e em apenas uma semana já recolheu centenas de denúncias de mulheres.

Terrab afirmou que “continuamos a receber denúncias” onde aparecem nomes de professores universitários acusados de exigir relações sexuais às alunas em troca de boas notas.

O último caso aconteceu no dia 27 de dezembro na Escola Nacional de Comércio e Gestão (ENCG), na cidade de Uchda. Uma conta anónima divulgou uma conversa de WhatsApp entre um professor e uma das suas alunas, esta estudante pedia para que as suas provas curriculares fossem validadas e o professor exigiu em troca uma “aula de felação”.

Dezenas de alunas manifestaram-se dois dias depois para pedir a demissão do professor e no Instagram também foi publicada uma carta onde outra mulher assegura ter sofrido o mesmo tipo de abuso.

O Ministério da Educação marroquino já enviou uma comissão responsável para investigar a situação e indicou a suspensão do docente em causa. Foram também demitidos o diretor da escola, o secretário-geral e a diretora-adjunta.

Ao mesmo tempo, as entidades judiciais avançaram, esta terça-feira, com a detenção de outro professor universitário em Tanger, da Escola Superior de Tradutores, afeta à Universidade Abdelmalek Essadi. A detenção ocorreu depois de uma das alunas ter denunciado abusos sexuais e por lhe ter mostrado vários vídeos pornográficos na sala de aula.

Outro caso que veio a público, em setembro, foi semelhante ao de Uchda. Começaram-se a divulgar conversas de WhatsApp entre um professor e três alunas. O professor era chefe do departamento de Direito Público da universidade de Hassan I de Settat.

Latifa el Boushini, professora da faculdade de Ciências da Educação, em Rabat, explicou que o problema de abusos sexuais nas universidades é antigo. Lembra que em 2013 assistiu a umas jornadas da Universidade de Mohamed V, no dia 8 de março, quando uma jovem tomou a palavra para denunciar abusos sexuais nas aulas.

“O problema radica em que é muito difícil provar que existe abuso. Porque o que o comete costuma fazê-lo em privado”, refere Latifa. No entanto, “nos casos de Settat e Uchda, foi possível recolher provas graças à tecnologia”.

Sónia Terrab fundou há dois anos, juntamente com a escritora Leila Slimani, a associação Morrocan Outlaw 490 com o objetivo de que o Estado reforme o Código Penal, mas como objetivo imediato querem que o Estado se aproprie da campanha #MetooUniv e a estenda às suas redes sociais e canais de televisão.

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