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Maré Branca: milhares nas ruas de Madrid em defesa da saúde pública

Cerca de dez mil pessoas protestaram contra a gestão da pandemia da Comunidade de Madrid, governada pela direita. Contestam a operação de propaganda em torno da construção de um “hospital de emergência”, enquanto fecham camas e falta pessoal nos cuidados de saúde primária.
Manifestação da Maré Branca em Madrid. Foto de CGT SOV del Sur de Madrid CGT/Flickr.
Manifestação da Maré Branca em Madrid. Foto de CGT SOV del Sur de Madrid CGT/Flickr.

Foram cerca de dez mil trabalhadores do setor de saúde, utentes e moradores da região a juntar-se este domingo em Madrid em resposta ao apelo da Maré Branca, um grupo de 13 sindicatos, associações e coletivos locais em defesa da saúde pública. O protesto visava o governo de direita da Comunidade de Madrid e foi por isso bastante ouvida a palavra de ordem “Ayuso demissão”, em referência à presidente da Comunidade.

O desfile foi encabeçado pela frase “luta pela tua saúde” em letras grandes, carregadas pelos representantes de cada uma das organizações que assinou a convocatória. E fez-se escutar fortemente ainda outra palavra de ordem: “A saúde não se vende, defende-se”. Isto porque a maré branca, segundo o comunicado lido no final da ação, exige “uma política democrática, leal e eficaz para a recuperação de uma saúde 100% pública que garante a universalidade e qualidade” em tempo de pandemia.

A indignação contra a construção do “hospital de emergência” Isabel Zendal, especialmente feito para a crise pandémica pelo governo regional dirigido por Isabel Díaz Ayuso e que custou perto de cem milhões de euros, o dobro do previsto, foi outro ponto forte da mobilização. Com a sua inauguração esta semana, ficará aberta apenas uma pequena parte do seu espaço. Em contraste com este gasto considerado ostentatório e propagandístico, exigiu-se mais investimento nos cuidados de saúde primários, “a reabertura imediata de todos os centros de saúde e dos serviços de urgência dos Cuidados de Saúde Primários encerrados”, de 16 camas da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Infanta Sofia, “tal como de todas as camas fechadas dos hospitais públicos da Comunidade de Madrid” e a “contratação dos profissionais necessários para garantir uma assistência regular a pacientes covid e não-covid”. Faz igualmente parte das preocupações deste movimento social a contratação de mais pessoal para fazer rastreamento no âmbito da crise pandémica.

Ao jornal El Salto, a médica reformada Concha Colomo explicou a situação: “isso do hospital novo é uma barbaridade. Em vez de desbaratar o dinheiro nisso, devia ter-se investido em pessoal, que é o que falta”. Para ela, o dinheiro deveria ir para os cuidados de saúde primários e não num hospital “que não sabemos se alguma vez vai servir para alguma coisa ou não”. A gestão sanitária em Madrid é considerada “um desastre”, com “esgotamento e maus-tratos institucionais”.

O mesmo pensa Jaime Cedrún, das Comisiones Obreras de Madrid: “Querem abri-lo para tirar a fotografia e não têm pessoal de saúde”, denuncia.

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