Maioria dos países europeus com escassez de antibióticos

09 de February 2023 - 14:06

Farmacêuticas alegam que o sistema de licitação e os preços regulados dos genéricos se traduzem em margens mínimas de lucro e não justificam sequer a produção de antibióticos, quanto mais aumentar a produção. A pressão dos lobistas para o aumento dos preços é cada vez maior.

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Foto de HippoPx.

Muitos países em todo o mundo reportaram escassez de antibióticos à medida que as infeções respiratórias retornam com força face ao levantamento das restrições impostas em contexto pandémico. A situação é particularmente gravosa na Europa, na medida em que muitos fabricantes se mostram relutantes em expandir a capacidade e alertam para o agravamento da escassez. As farmacêuticas alegam que não podem manter o preço máximo quando todos os custos de produção e logística aumentam.

Os lobistas garantem que os fabricantes europeus de medicamentos genéricos são prejudicados pelo sistema de licitação e os preços regulados e que estão a ser ultrapassados pelos fornecedores asiáticos.

Na última década, alguns fabricantes europeus reduziram a produção ou transferiram a fabricação de genéricos e ingredientes farmacêuticos ativos (APIs) necessários para produzi-los para a Índia e China, onde os custos são muito mais baixos.

Agora, os lobistas pressionam no sentido da revisão dos esquemas de preços.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e Comissão Europeia reconhecem que há um problema, e reuniram-se várias vezes com fabricantes de medicamentos e grupos comerciais desde que a escassez foi relatada pela primeira vez em outubro. No entanto, ainda não são conhecidas quaisquer medidas para fazer face à situação.

O diretor médico da EMA, Steffen Thirstrup, afirmou, em declarações à Reuters, que é bastante incomum ver tantos países a relatar escassez dos mesmos produtos, como a amoxicilina, mas destacou que a procura prevista diminuiria com a aproximação do clima mais quente. Thirstrup referiu ainda que existem medicamentos alternativos que podem ser usados quando a amoxicilina não está disponível. Contudo, vários grupos de doentes alertaram no mês passado que as substituições estão agora também a condicionar o fornecimento de outros medicamentos.

É expectável que a Comissão Europeia apresente em março revisões à lei farmacêutica. Em causa está, nomeadamente, a exigência no sentido de que os fabricantes mantenham reservas maiores e avisem com antecedência sobre a escassez. Mas a pressão para que Bruxelas proceda à alteração dos sistemas de licitação e preços é cada vez maior.

Neste momento, cinco empresas - a britânica GSK (GSK.L), a Sandoz, a farmacêutica americana Viatris (VTRS.O), a indiana Aurobindo (ARBN.NS) e a francesa Servier - detêm quase 60% do mercado de amoxicilina na Europa.