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Maioria absoluta para Boris Johnson avançar com Brexit

Os conservadores britânicos alcançaram maioria absoluta nas eleições desta quinta-feira. A indefinição trabalhista quanto ao Brexit foi decisiva para o pior resultado do pós-guerra. Agora a saída do Reino Unido da União Europeia é “irrefutável” diz Johnson. Corbyn foi desafiado a deixar o lugar para o partido virar ao centro.
Boris Johnson no seu círculo eleitoral. Dezembro de 2019. Foto de Lusa/EPA/WILL OLIVER
Boris Johnson no seu círculo eleitoral. Dezembro de 2019. Foto de Lusa/EPA/WILL OLIVER

A tendência registada nos últimos dias era de aproximação entre os dois principais partidos britânicos. Mas o que resultou das eleições desta quinta-feira foi que o atual líder conservador ultrapassa até os resultados históricos alcançados pela ex-Primeira-Ministra Margaret Thatcher.

Bastiões tradicionais trabalhistas, como os do norte do país, caíram mesmo nas mãos dos Tories.

Boris Johnson carregou na adjetivação nas suas várias declarações de vitória. Pensa ter um “mandato poderoso”, “histórico” que torna “irrefutável” uma saída da União Europeia, a acontecer sem “se” nem “mas” no próximo dia 31 de janeiro. As “ameaças miseráveis” de um segundo referendo terminaram.

Quando apenas há um lugar por apurar, os conservadores têm 364 deputados em 650, o Labour 203, o SNP 48, os Libdem 11, o DUP 8, o Sinn Féin seis, o Plaid Cymru quatro, o SDLP dois, os verdes um e a Aliança um.

A culpa foi do Brexit ou a culpa foi do esquerdismo?

Do lado trabalhista, os críticos de Corbyn querem a sua substituição. Nem a chamada “parede vermelha” do norte mineiro e trabalhista sobreviveu a uma derrocada que seguiu de perto o mapa de votação no Brexit nas regiões anteriormente votantes no Labour.

Face ao descalabro, até John McDonnel, número dois da liderança trabalhista, começava a noite por dizer: “vamos decidir se eu e o Corbyn devemos sair depois de conhecidos os resultados oficiais”. Para ele, a culpa do resultado é do Brexit: “as projeções mostram que estas foram as eleições do Brexit”.

Depois de saber o resultado do seu círculo eleitoral, que venceu pela décima vez mas com menos votos do que nas últimas eleições, Corbyn reconheceu o “desapontamento” mas não se demitiu declarando: “não vou liderar o partido numa futura campanha para eleições gerais. Vou discutir com o partido para garantir que há um processo de reflexão sobre os resultados e sobre as políticas futuras”.

Do lado dos seus opositores internos a reflexão e conclusões foram expeditas. Houve uma corrida para marcar posição logo na madrugada, enquanto os resultados ainda estavam a chegar. Gareth Snell, derrotado no seu círculo antes dos mais seguros, foi dos primeiros trabalhistas a verbalizar na BBC o pedido de demissão de Corbyn devido a um resultado “desastroso”. Phil Wilson juntou a esta avaliação uma narrativa diferente que deverá ser seguida nos próximos dias: seria uma “mentira absurda” e um “delírio” dizer que tinha sido o Brexit a causar a derrota. O “problema maior” teria sido a linha de esquerda da direção protagonizada por Jeremy Corbyn.

Alan Johnson também o disse “é Corbyn. Jeremy Corbyn foi um desastre para o Labour”. E foi mais longe que os outros acrescentando, relativemente ao movimento interno de esquerda Momentum, “quero este culto fora do do partido. Quero que o Momentum se vá”.

Outro vencedor e muitos vencidos

O Partido Nacionalista Escocês é dos poucos a poder cantar vitória. Consegue um dos melhores resultados do partido em eleições do Reino Unido. A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, defende que o resultado do Partido Nacionalista Escocês, uma maioria absoluta de deputados na Escócia, é um mandato para um segundo referendo. “Tal como aceito com relutância – já que é uma direção que lamento – que Boris Johnson tem mandato para a saída da Inglaterra da União Europeia, ele tem de aceitar que eu tenho um mandato para oferecer à Escócia a escolha de uma alternativa de futuro”. O povo escocês “não tem de aturar um Governo conservador em que não votou e não tem de aceitar” ficar fora da União Europeia.

Os Liberais Democratas, que apostaram todas as fichas em ser a oposição “responsável” anti-Brexit, também perderam fortemente. Jo Swinson não foi eleita deputada por 149 votos e demitiu-se, deixando no lugar Ed Davey e Sal Brinton.

Os unionistas da Irlanda do Norte também sofreram uma derrota. O DUP, Partido Democrata Unionista, viu o seu líder perder o lugar no norte de Belfast para o Sinn Féin. As contradições geradas pela introdução de uma nova fronteira entre as duas parte da Irlanda terão sido decisivas.

Os deputados conservadores que deixaram o partido em divergência com o Brexit de Johnson também obtiveram resultados dececionantes: o ex-procurador-geral Dominic Grieve e a ex-ministra da Saúde, Anne Milton candidataram-se ao Parlamento como independentes só que não foram eleitos.

O Partido do Brexit, a extrema-direita liderada por Nigel Farage, foi vítima do voto útil pró-Brexit e não elegeu nenhum deputado.

Do lado dos vencedores posicionou-se também o presidente norte-americano que saudou efusivamente a vitória conservadora. Para Donald Trump, “o Reino Unido e os Estados Unidos vão ter agora liberdade para conseguir um novo acordo comercial massivo, após o Brexit. Este acordo tem potencial para ser muito maior e mais lucrativo do que qualquer acordo feito com a União Europeia”.

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