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Mahmut Tat, o motorista que é uma das moedas de troca para a Suécia entrar na Nato

A Suécia extraditou o curdo que pediu asilo no país. A Turquia acusou-o de pertencer ao PKK e condenou-o a seis anos e dez meses de prisão. Ele diz que apenas participou em protestos a favor da democracia.

Mahmut Tat, um motorista de autocarros da cidade de Dersim, foi extraditado esta sexta-feira da Suécia para a Turquia onde foi detido no sábado. A extradição acontece no contexto do pedido sueco e finlandês de entrada para a Nato depois da invasão russa da Ucrânia que tinha sido bloqueado pela Turquia. Mais tarde, em junho, estes depois países assinaram um acordo em que aceitaram um conjunto de exigências turcas, nomeadamente a extradição de um conjunto de pessoas que são acusadas pelo governo deste país de “terrorismo”.

Tat foi sentenciado com uma pena de prisão de seis anos e dez meses por supostas ligações ao PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão. Fugiu do país para a Suécia, onde passou a trabalhar na restauração, pediu asilo mas este foi recusado. De acordo com o curdo, o seu único crime foi participar “em protestos democráticos”. Ao que acrescenta “como um cidadão vulgar, tomei o lado dos oprimidos e apoiei a luta democrática. Se isto é terrorismo, então sim, sou terrorista”, disse segundo o portal noticioso turco Duvar. Os seus apoiantes salientam que não teve direito a um julgamento e temem como será tratado na Turquia.

Erdogan, o presidente turco, assegura que a Suécia se comprometeu extraditar 73 pessoas acusadas de terrorismo pelo regime de Ancara. Muitas estão acusadas de ligações ao PKK ou aos grupos curdos na Síria as YPG, Unidades de Proteção Popular, e o Partido da União Democrática, o PYD.

Do lado do governo sueco, a ministra das Migrações, Maria Malmer Stenergard, garante que a decisão foi apenas tomada pelo conselho das migrações e pelos tribunais e que o executivo “não teve qualquer papel no processo”.

O advogado de Tat na Suécia, em declarações à agência noticiosa sueca TT, classificou o sucedido como “horrível”. Para ele, “é acima de tudo um problema para a democracia sueca e para os direitos humanos”.

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