You are here

Lauak de Setúbal vai despedir cerca de duzentos trabalhadores

A empresa produz peças para a indústria aeronáutica e tem duas fábricas no país. Os despedimentos vão-se concretizar até dia 15 de julho.
Indústria aeronáutica. Foto da CGTP.
Indústria aeronáutica. Foto da CGTP.

É a concretização esperada de uma notícia triste. 197 trabalhadores da fábrica Lauak de Setúbal receberam a notificação de que irão perder o seu emprego até ao dia 15 de julho. Fazem parte de vinte categorias profissionais diferentes desde administrativos, a engenheiros, a operadores de chaparia e de logística.

A notícia foi dada esta sexta-feira pela Rádio Renascença que teve acesso ao documento que foi enviado aos trabalhadores. Nele, a empresa alega uma previsão de quebra de vendas de 36% desencadeada pelos efeitos da pandemia na aviação. A empresa que vende peças para a indústria aeronáutica justifica que foram canceladas “várias encomendas de aviões aos principais produtores mundiais, nomeadamente a empresa Boeing e a empresa Airbus, principais clientes do Grupo Lauak” e por isso ser “impossível manter a atual estrutura produtiva sob pena de a sociedade vir a ser declarada insolvente”.

A Lauak explicou ainda nesse texto que os trabalhadores a serem despedidos foram escolhidos através de critérios como “a avaliação de desempenho no âmbito das avaliações feitas com critérios objetivos e conhecidos pelo trabalhador; a menor habilitação académica ou menor habilitação profissional com menor espírito de iniciativa e capacidade de adaptação a novos desafios; e ainda a menor experiência na função ou menor antiguidade”.

A empresa deixa no documento a garantia de uma compensação de 12 dias de retribuição base e diuturnidades para cada ano completo de trabalho, no caso dos contratos celebrados depois de 1 de outubro de 2013. Já os anteriores terão direito a indemnizações que “têm em conta várias parcelas, consoante o momento em que foram assinados”.

O despedimento coletivo tinha sido antes anunciado ao SITE Sul numa reunião realizada no passado dia 18. O sindicato respondeu em comunicado que “nunca poderá concordar com a implementação de medidas que põem em causa os postos de trabalho, mais ainda quando uma parte deles foi criada com o apoio do Estado”.

O SITE Sul reconhecia a crise no setor mas defendeu que havia alternativa “sendo apenas necessário que não falte vontade à administração para as implementar”. Não se esqueceu ainda de sublinhar que a Lauak é uma filial da multinacional francesa da indústria aeronáutica que “beneficiou de apoios comunitários, no valor de cerca de oito milhões de euros, através do Estado português, para a unidade fabril de Grândola”. A contrapartida foi a criação de 274 postos de trabalho, um “compromisso” que não é respeitado com a concretização de despedimento.

A Lauak conta com duas unidades no país. A fábrica de Setúbal, onde foram anunciados estes despedimentos, foi instalada em 2003. A de Grândola, a que se refere este comunicado do SITE Sul, foi inaugurada em outubro de 2019.

Termos relacionados Sociedade
(...)