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Irão suspende polícia da moralidade e anuncia revisão da lei do véu

Para segunda-feira estão marcados mais protestos. O anúncio do Procurador-Geral do país de que a lei do véu está a ser revista permanece vago. Ao mesmo tempo, anunciou-se a execução de quatro pessoas acusadas de colaborar com a Mossad.
Mohammad Jafar Montazeri. Foto de Mohammad Hassanzadeh/Wikimedia Commons.
Mohammad Jafar Montazeri. Foto de Mohammad Hassanzadeh/Wikimedia Commons.

O Procurador-Geral do Irão, Mohammad Jafar Montazeri, anunciou este sábado à noite que a polícia da “moralidade” tinha cessado as suas atividades, salientando que esta “não tem nada a ver com o poder judicial” e afirmando que “quem criou a polícia da moralidade desmantelou-a”. O responsável sublinhou que isto não implica o fim da vigilância do comportamento.

Num encontro com religiosos em Qom, o centro teológico do Irão, declarou que “o mau 'hijab' no país, especialmente na cidade sagrada de Qom, é uma das principais preocupações do poder judicial, assim como da nossa sociedade revolucionária, mas deve-se realçar que a ação legal é o último recurso e medidas culturais precedem quaisquer outras”.

Ao mesmo tempo, anunciou que o Parlamento e outra instância dirigida pelo presidente Ebrahim Raissi, estavam já a trabalhar numa modificação da lei sobre o véu, não se especificando que alterações serão propostas. Apenas que o resultado será conhecido em quinze dias.

A correspondente da RFI em Teerão revela que um deputado diz que as prisões por esta questão poderão passar a ser substituídas por multas e que, nas últimas semanas, cada vez mais iranianas andam nas ruas sem véu sem que as autoridades intervenham.

Ambos anúncios estão a ser vistos cedências ao movimento de protestos que varre o país há mais de três meses depois do assassinato da jovem curda Mahsa Amini por aquela força policial. As manifestações que começaram protagonizadas por mulheres com a questão do crime e do véu em destaque, têm incluído reivindicações que colocam em causa o conjunto do regime teocrático iraniano.

Outra fonte oficial, o Conselho de Segurança do Irão reconheceu a morte de “mais de 200 pessoas” durante os protestos. As vítimas são acusadas de “ataques terroristas” e de serem “agitadores e elementos contra-revolucionários armados, integrantes de grupos separatistas”. Mas os números de organizações como Iran Human Rights apontam para mais do dobro das mortes, 448, para além de 2.000 presos, seis dos quais condenados à morte. Para além disso, neste domingo, foi anunciada a execução de quatro pessoas acusadas de ligações aos serviços secretos israelitas, acusando-os de roubos, destruição de propriedade, raptos, interrogatórios ilegais a soldo da Mossad da qual recebiam pagamento através de criptomoedas.

Nas redes sociais circulam apelos a mais três dias de manifestações e greves a partir desta segunda-feira.

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