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Imigrantes em Beja vivem em condições desumanas

Uma reportagem da TVI mostra a precariedade de trabalhadores essenciais à agricultura no Alentejo que são colocados em habitações sobrelotadas.
À saída do local, a equipa da TVI fala com o dono da habitação, que justifica as condições porque esta “é a cultura deles. Comem com as mãos. Não temos de fazer mais nada”.
À saída do local, a equipa da TVI fala com o dono da habitação, que justifica as condições porque esta “é a cultura deles. Comem com as mãos. Não temos de fazer mais nada”. Imagem retirada da reportagem da Tvi.

Centenas de trabalhadores, essencialmente da Guiné, Senegal e Gâmbia, são todos os dias deixados por carrinhas no centro de Beja. Nesta altura do ano, trabalham nas estugas do litoral e na apanha da azeitona durante o dia, e à nite são colocados em habitações sobrelotadas, sem hipótese de distanciamento.

A TVI acompanhou um grupo de 50 imigrantes, todos eles homens, e visitou os locais onde vivem. “Nós vivemos bem, estamos tranquilos, a trabalhar. Só há o problema da habitação”, diz aos reporteres um dos imigrantes.

A direção regional de saúde acompanha estes imigrantes com testes regulares ao covid-19, cujos resultados - negativos -, que mostram aos reporteres. “Fizemos todos os testes e estamos todos negativos”.

“Eu também sou pai de família, tenho mulher e dois filhos”, diz Famala Kassama aos repórteres. Todos os meses envia 300€ para a sua família na Guiné, ficando apenas com o suficiente para comer. “Gostava de ter condições melhores aqui, mas como trabalho no campo, ora tenho trabalho ou não, por isso, tenho dificuldades em pagar no fim do mês”.

O ativista da Solidariedade Imigrante, Alberto Matos, afirma que “se consideramos estes imigrantes indispensáveis, e claramente são, então temos de criar condições” de vida digna. A associação acompanha os imigrantes para garantir que têm acesso a documentação que os proteja de abusos.

Duarte, outro imigrante de 25 anos que chega agora a Beja, diz que “dormir bem é muito complicado”. O local onde vive este grupo de imigrantes tem apenas a cozinha como espaço comum e a porta para a rua não tem fecho.

À saída do local, a equipa da TVI fala com o dono da habitação, que justifica as condições porque esta “é a cultura deles. Comem com as mãos. Não temos de fazer mais nada”.

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