Em audição parlamentar requerida pelo Bloco, o IHRU identificou “mais problemas do que os que tem vindo a dar conhecimento”. É o que diz a deputada Maria Manuel Rola, que questionou Isabel Dias a sua presidente. Mas a informação recolhida, diz, “tem de ser arrancada quase a ferros.”
Ainda assim, ficou-se a saber, por exemplo, que houve um aumento das necessidades habitacionais em 77% entre o início de 2018 e o momento atual e que apenas há sete milhões de euros para reabilitação do edificado do IHRU este ano.
Sobre os pedidos de apoio ao arrendamento, ficou-se a saber ainda que chegaram à instituição 1896 pedidos. Destes, 16 foram rejeitados por falta de elementos e apenas 479 foram resolvidos.
A deputada bloquista insurge-se que “o resto está num vazio de burocracia entre os pouquíssimos técnicos de IHRU que fazem um trabalho meritório e os inquilinos que necessitam de apoio por perda de rendimentos”. “Existem cerca de 1.300.000 pessoas em mercado de arrendamento privado em Portugal. Nem 500 tiveram respostas”, acrescenta. Cerca de 370 processos continuam a ser avaliados e 684 foram devolvidos aos requerentes por falta de algum documento. Em 347 casos não se ficou a saber o que se passa.
A dirigente bloquista sublinha que, ainda assim, ficou em falta muito informação “quer sobre a alienação de fogos que tenham sido construídos com o apoio do IHRU, quer sobre a falta de resposta aos apoios solicitados, quer sobre o plano detalhado de reabilitação de fogos do IHRU, quer sobre a quantidade de habitação publica vaga e que poderia já responder a necessidades habitacionais”. Nem sequer o orçamento da instituição pública para este ano está publicado na sua página e falta ainda mais informação sobre o programa 1º Direito.
Por isso, é preciso voltar a questionar a instituição. Num campo em que há “urgência na resposta habitacional” não pode haver “meios números, meias respostas, valores recauchutados e uma intervenção errática”.
Para Maria Manuel Rola, “centenas de milhar de vidas dependem da capacidade de intervenção do Estado na garantia de um parque habitacional público, de travar a especulação e de garantir uma legislação coerente que protege quem vive no nosso país”.