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Governo e oposição venezuelana em “reuniões construtivas”

Maduro quer o levantamento de sanções internacionais e reconhecimento dos órgãos eleitos. No domingo, Freddy Guevara, um oposicionista próximo de Guaidó que tinha sido preso por suspeita de ligação a grupos paramilitares, foi libertado. Ambos os lados retomam diálogo no início de setembro.
Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Marcelo Ebrard, ministro dos Negócios Estrangeiros do México, Dag Nylander, diretor do Centro de Resolução de Conflitos da Noruega e Gerardo Blyde Perez, representante da oposição, mostram o Memorando de Entendimento assinado no Museu de Antropologia e História da Cidade do México. Foto de Mario Guzman/EPA/Lusa.
Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Marcelo Ebrard, ministro dos Negócios Estrangeiros do México, Dag Nylander, diretor do Centro de Resolução de Conflitos da Noruega e Gerardo Blyde Perez, representante da oposição, mostram o Memorando de Entendimento assinado no Museu de Antropologia e História da Cidade do México. Foto de Mario Guzman/EPA/Lusa.

Realizou-se este fim de semana no México uma primeira ronda de negociações entre o governo venezuelano e a Plataforma Unitária da Venezuela. Do comunicado conjunto emitido no final, em que confirmam que mantiveram “reuniões construtivas”, ficou-se apenas a saber que estas prosseguem a partir do próximo dia 3 de setembro.

Em concreto não foram indicados mais resultados para além de que “reconhecendo a importância da inclusão”, foi discutido “o estabelecimento de um mecanismo de consulta com atores políticos e sociais que seja o mais inclusivo possível”.

Sob o patrocínio do governo norueguês, durante dois dias, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e o advogado Gerardo Blyde, representante do grupo oposicionista cujo membro mais conhecido é Juan Guaidó - que chegou a auto-proclamar-se presidente do país -, encabeçaram as duas delegações.

As conversações partiram de um “memorando de entendimento” em que ambas as partes se dispunham a “acordar as condições necessárias para que se levem a cabo os processos eleitorais consagrados na Constituição com todas as garantias e compreendendo a necessidade de que sejam levantadas as sanções internacionais”.

A referência aos processos eleitorais diz respeito, em primeiro lugar, às próximas eleições regionais de 21 de novembro. Guaidó anunciou que iria boicotá-las mas foi ultrapassado pela direita por Henrique Capriles, ex-governador do estado de Miranda e candidato presidencial da oposição, que defendeu a participação no processo, nomeadamente porque o novo órgão eleitoral tem a participação de elementos não chavistas.

O lado governamental insiste no reconhecimento da legitimidade das autoridades, no fim das sanções internacionais, como o congelamento de ativos no exterior e o impedimento de vender petróleo, por exemplo aos Estados Unidos, que estão a depauperar a economia e na “renúncia à violência” por parte da oposição.

Na noite de domingo, o ex-deputado Freddy Guevara, próximo de Guaidó, foi libertado depois de estar um mês preso por suspeita de ligação com os grupos paramilitares “associados ao governo colombiano”. Segundo a Deutsche Welle, Guevara declarou à saída da prisão que nada sabia sobre as condições da sua libertação. Mas a exigência de libertação de 268 membros da oposição que estão detidos fazia parte da agenda da oposição, bem como a exigência de eleições “livres e justas” a todos os níveis e a entrada de ajuda humanitária e vacinas contra a Covid-19.

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