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“Falar de família não pode ser só conversa fiada”

Marisa Matias criticou a direita portuguesa que “passa a vida a falar de família” mas que durante quatro anos aplicou uma política que destruiu muitos agregados familiares.
Foto de Paulete Matos

De regresso ao sul do país, Marisa Matias defendeu este domingo, num almoço com apoiantes em Olhão, que o seu modelo económico é o “que está consagrado na Constituição”, e não, como defendem vários candidatos, “aquele que nos trouxe a esta situação em que estamos hoje”.

A candidata presidencial lembrou que as “práticas de austeridade não destruíram apenas as empresas e a economia, destruíram muitas famílias”, e criticou a direita portuguesa que “gosta muito de falar em família e passa a vida a falar em família” mas passou quatro anos a massacrar o seu povo.

"A política que tivemos foi aquela que reduziu muitas famílias à miséria, que desmembrou muitas famílias com a emigração e que impede muitas novas famílias de construir mais família", destacou, salientando que “falar de família não pode ser só conversa fiada”.

Candidatos têm a obrigação de falar das vidas e dos direitos que são negados às pessoas todos os dias

A candidata referiu que tem visto muitos candidatos que “falam, falam, falam, mas eu não os ouço a dizer nada”, e sublinhou que “todos os candidatos têm a obrigação de falar destas vidas e sobre os direitos que são negados às pessoas todos os dias”.

A sessão em Olhão contou ainda com uma oradora não prevista, que segundo Marisa Matias é o “rosto da dignidade que não se resigna”. Marilu Santava, uma mulher que conheceu há um mês em Portimão e que esteve acorrentada durante 16 dias ao hotel onde trabalhava, para exigir os salários em atraso que a empresa tinha em dívida, que partilhou a sua história na primeira pessoa.

"Em democracia não há impossíveis. A resignação nunca venceu nada, mas a luta ganhou muitas coisas", concluiu Marisa Matias.

Fernando Rosas: "A única candidata que tem um projeto político claro nestas eleições é Marisa Matias"

O fundador do Bloco, Fernando Rosas, foi outro dos intervenientes em Olhão,  que a “única candidata que tem um projeto político claro nestas eleições é a Marisa Matias”, "sem habilidades de circo, sem ter um terço escondido no bolso".

Fernando Rosas afirmou que Passos Coelho teve uma intervenção clarificadora ao “chamar à ordem” Marcelo Rebelo de Sousa, reiterando que este é “verdadeiramente o candidato da direita”, a mesma direita que “impôs ao país quatro anos de austeridade e de empobrecimento neste país”, sublinhou o historiador.

É o tirar “o chão às manobras e às habilidades do candidato Marcelo Rebelo de Sousa, aos seus malabarismos”, realçou.

Mas as críticas de Fernando Rosas não se ficaram pelo candidato da direita, que considerou, também, que “a forma como o PS encara as suas candidaturas, não apoiando ninguém, desmobiliza, convida à abstenção e abre o caminho a Marcelo Rebelo de Sousa para chegar com mais facilidade à Presidência da República”, além de ter levado os seus dois candidatos dois a andar “à guerra um com o outro para ver aquele que é mais apoiado ou não pelo partido”.

O almoço em Olhão contou ainda com intervenções do deputado João Vasconcelos, eleito pelo distrito de Faro, e da Vereadora da Câmara Municipal de Olhão, Leónia Norte.

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