A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) apresentou queixa contra o antigo juiz que depois de passar pelo governo de Bolsonaro tenta agora entrar na corrida presidencial. Os juristas querem conhecer as condições e os valores da contratação de Sergio Moro pela consultora Alvarez & Marsal, onde trabalhou mais de um ano e que é administradora judicial das empresas que a investigação liderada por Moro colocou em dificuldades.
“Moro, enquanto juiz, julgou e condenou executivos das empresas clientes da Alvarez & Marsal no processo de recuperação judicial. Teve acesso a informações privilegiadas que possuíam potencial de impacto em favor de seu trabalho na empresa”, argumenta a associação, concluindo que a situação “é no mínimo para se desconfiar e, evidentemente, para se investigar, que nunca houve motivação adequada à ordem jurídica constitucional e legal a justificar que Sergio Moro pudesse assumir um cargo para atuar na recuperação judicial de empresas cuja situação foi causada pela sua atuação como magistrado”.
"Ele é o juiz que determinou a condenação da Odebrecht. Ele tinha acesso a tudo. Ele estava a par de todas as situações. Então ele tem acesso a informações privilegiadíssimas que ele leva com ele para empresa quando ele é contratado”, afirmou ao Brasil de Fato Tânia de Oliveira, da APJB.
Além do conflito de interesses, podem estar em causa crimes de corrupção passiva e tráfico de influências, acrescentou a jurista. Documentos obtidos pela justiça brasileira indicam que a consultora recebeu cerca de 11 milhões de euros de empresas investigadas na Lava Jato, o que corresponde a 77,6% das suas receitas obtidas no Brasil.
O caso chegou ao parlamento brasileiro no regresso à nova sessão legislativa, com o deputado do PT de São Paulo, Paulo Teixeira, a anunciar que irá começar a recolher assinaturas para criar uma comissão parlamentar de inquérito ao caso. "Todas as empresas que Moro quebrou estão sendo recuperadas pela Alvarez & Marsal a peso de ouro. É preciso investigar o conflito de interesses", afirmou Teixeira.