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“Esta greve exige justiça climática, mas também justiça social”

Milhares de estudantes voltam a sair à rua em dezenas de países na próxima sexta-feira. Em Portugal, os promotores da greve climática estudantil de 24 de setembro juntaram-se a outros movimentos para mostrarem que esta é uma luta interseccional.

A greve climática estudantil regressa às ruas de todo o mundo esta sexta-feira, dia 24. Em Portugal conta com um manifesto que sublinha a interseccionalidade da luta pela justiça climática, ao lado de ativistas das lutas antirracista, LGBTQIA+, feminista e pelo direito à habitação. A iniciativa terá lugar em Albufeira, Faro, Aveiro, Braga, Coimbra, Guimarães, Lisboa, Funchal, Mafra, Porto, Santarém, Sines e Viseu (ver horas e locais no fim da notícia).

Diana Neves, da Greve Climática Estudantil, confirmou ao Esquerda.net as “boas expetativas” da organização quanto à adesão a estas manifestações, até por juntarem “tantas causas” na mesma iniciativa. “Esta greve exige não só justiça climática, como também se foca na justiça social. Mostra como a crise climática se interliga com tantas crises sociais, e como são sempre as mesmas pessoas, sobretudo dos setores mais fragilizados, a ser mais afetadas”, afirmou a porta-voz da iniciativa de dia 24.

Apesar dos repetidos alertas dos cientistas do IPCC e dos próprios estudantes que iniciaram as greves em 2018, Diana Neves diz que não existem “os esforços necessários da parte de governos e instituições para travar o caos climático, que pode acontecer já em menos de dez anos”.

E esses esforços passam neste momento por “cortar 75% das emissões de gases com efeito de estufa em todo o mundo, até 2030”, incluindo na rede de transportes com “a eletrificação da ferrovia nacional e a garantia de uma rede de transportes públicos que cheguem a mais população”, além da reconversão das indústrias e da energia, acrescenta a ativista.

Na opinião da GCE, a noção de justiça climática significa que esses cortes não podem ser feitos sem “garantir soluções e postos de trabalho para os trabalhadores recolocados, para não acontecerem despedimentos coletivos como aconteceu recentemente com a refinaria de Matosinhos”.

“São as pessoas que têm o poder nas suas mãos, e está na hora de pensar nas gerações vindouras. Há que lutar por um futuro digno”, afirma Diana Neves a propósito da escolha a fazer nas eleições autárquicas que têm lugar dois dias depois desta greve climática. Embora reconheça que “nenhum dos partidos tem ambição suficiente para fazer concretizar os objetivos que nós precisamos, dentro do prazo que nós temos para os fazer acontecer”, Diana diz ser urgente haver autarquias que “implementem medidas a nível local para tornar os municípios mais sustentáveis, não só sensibilizando as populações para a urgência da crise climática, mas também para surgirem cada vez mais ações coletivas, porque são essas que fortalecem o movimento”.

Iniciativas da greve climática de 24 de setembro:

Albufeira – Marcha da EBSA até à Camâra Municipal a começar às 10h30
Faro – Marcha às 10h30 desde o Jardim Manuel Bívar até ao Fórum (pelas Secundárias e Campus da Penha)
Aveiro – Marcha às 10h no Jardim da Fonte Nova
Braga – Mobilização às 18h na Praça do Município
Coimbra – Marcha da Praça da República até à Praça 8 de Maio a começar às 17h
Guimarães – Marcha às 15h no largo Condessa Mumadona
Lisboa – Marcha do Jardim Amália Rodrigues até ao Arco Cego a começar às 10h
Madeira – Marcha às 10h junto à Assembleia Legislativa da Madeira (rua Dr. António José de Almeida)
Mafra – Concentração no Palácio de Mafra das 10h às 12h
Porto – Marcha da Praça da República aos Aliados das 15h às 19h
Santarém – Marcha às 10h no Jardim da República
Sines – Marcha às 18:00 no Jardim das Descobertas
Viseu – Concentração às 10h10 em frente à Câmara Municipal

Lista atualizada no site da Greve Climática Estudantil

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