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DGS esqueceu o desporto para deficientes, diz Comité Paralímpico

As normas da DGS para a retoma da atividade desportiva não incluem o desporto para pessoas com deficiência. O Comité Paralímpico alerta ainda para o custo dos testes num movimento associativo composto maioritariamente por voluntários.
Jogo de Portugal nos Jogos Europeus da Juventude EPC 2019, na Finlândia.
Jogo de Portugal nos Jogos Europeus da Juventude EPC 2019, na Finlândia. Fotografia de Comité Paralímpico de Portugal.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou as orientações para a retoma de parte da atividade desportiva. Porém, a notícia foi recebida com críticas do Comité Paralímpico de Portugal (CPP), que afirma que as normas “não respondem às necessidades”, ignorando o desporto para pessoas com deficiência.

“As normas ignoram completamente o desporto para deficientes, a maioria das quais estão em grupos de risco”, afirmou o presidente do CPP, José Lourenço, à agência Lusa. Para o representante do desporto para pessoas com deficiência, é de lamentar que o documento da DGS “não faça qualquer menção ao desporto adaptado”.

O documento da DGS agrupa diferentes modalidades de acordo com o risco de contágio do coronavirus, mas não considera as modalidades adaptadas. José Lourenço dá o exemplo do boccia, o goalball e o râguebi em cadeira de rodas, que estão sob a alçada da Federação Portuguesa para Pessoas com Deficiência.

O presidente do CPP considera ainda que o documento “não é nada explícito” no que se refere às modalidades que estão sob a alçada das federações de modalidade.

“O andebol ou o basquetebol em cadeira de rodas são, naturalmente, diferentes da modalidade praticada por pessoas sem deficiência”, afirma à Lusa, reiterando: “Não há preocupação ao grupo de risco que são as pessoas com deficiência.” As normas “colocam em causa a viabilidade do próprio desporto, porque as camadas jovens e de formação não são contempladas”. 

José Lourenço receia ainda “que possam existir muitos atletas que vão deixar a prática desportiva e trocá-la por outras atividades”, lembrando que “no desporto para pessoas com deficiência o recrutamento é muito difícil”.

Paralelamente, a divisão dos desportos em categorias de risco comporta ainda o problema dos custos dos testes de rastreio à covid-19. 

“Não foram dados apoios extra e agora os clubes e associações ainda se veem confrontados com os custos elevados, tendo em contra a cadência de testes que é expetável que se faça”, sublinhou, lembrando que o “movimento associativo é feito, na sua maioria, de gente voluntária”.

O CPP defende uma “classificação urgente da norma” e a “criação de uma linha de apoio que permita que os clubes possam assegurar os testes, sem nunca descurarem a saúde”.

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