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Descontos nas ex-SCUT: Anúncio do Governo "sabe a muito pouco”

O Conselho de Ministros aprovou descontos nas portagens das ex-SCUT e autoestradas do interior a partir de janeiro. Bloco e Plataforma P’la Reposição das SCUTS A23 e A25 continuam a defender a abolição das portagens. Notícia de Interior do Avesso.
Ex-SCUT: “O anúncio feito pelo Governo relativo à redução de 25% sabe a muito pouco”
Fotografia de André Ferreira/Lusa (arquivo).

Em declarações ao Interior do Avesso, a deputada Isabel Pires diz que “o pagamento de portagens nas ex-SCUT tem sido alvo de polémica desde a sua aplicação. É preciso ter em conta que a esmagadora maioria destas vias se encontram no interior do país, pelo que têm vindo a representar uma grave condição de injustiça para estas populações.”

Nesse sentido, considera que “o anúncio feito pelo Governo relativo à redução de 25% sabe a muito pouco. Em primeiro lugar, porque continua a não responder efetivamente às justas reivindicações das populações. Em segundo lugar, porque a forma de aplicação do próprio desconto pode não garantir o acesso de todos e todas quantas precisem. O que o Bloco de Esquerda tem defendido é a abolição destas portagens e é nesse caminho que vamos continuar a trabalhar, em nome de uma efetiva coesão territorial, contra uma medida injusta que há muito deveria ter sido abolida.”

A medida que entrará em vigor a 1 de janeiro de 2021 prevê uma redução de 25 por cento para os veículos de classe 1 e 2, mas apenas a partir do oitavo dia de utilização no período de um mês. Está também previsto um aumento do desconto para o transporte de mercadorias e o alargamento destes descontos ao transporte de passageiros. Os descontos passam de 30 para 35 por cento durante o dia e de 50 para 55 por cento durante a noite, fins-de-semana e feriados.

Marcha lenta a 20 de novembro

A Plataforma P’la Reposição das SCUTS A23 e A25 organizou no mesmo dia em que a medida foi aprovada uma Assembleia Cívica de Indignação na Covilhã. No final desta iniciativa, Luís Garra, coordenador da União de sindicatos de Castelo Branco, que também integra a Plataforma, classificou a decisão do Governo “um embuste”.

 “É um embuste porque a esmagadora maioria das pessoas que precisem de circular ocasionalmente na A23 não vão ter qualquer desconto. Aquilo que vamos ter é tentar obrigar as pessoas a circular na autoestrada para terem algum desconto. Isto não lembrava nem ao diabo. Estamos completamente contra este modelo e daí defendemos a abolição das portagens mas que, para já, se proceda à suspensão do seu pagamento e, como sempre, estamos disponíveis para discutir com o Governo um modelo de reduções até à abolição definitiva”, declarou o sindicalista à Rádio Cova da Beira (RCB).

Perante a situação, a Plataforma exige que sejam tomadas outras medidas e aprovou na assembleia a realização de uma marcha lenta no próximo dia 20 de Novembro, com o intuito de mostrar ao Governo que esta medida não serve os interesses da região.

A marcha com início às 15H00 em vários pontos da região, Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, pretende “mostrar ao Governo que não nos cala nem nos engana. A senhora ministra da Coesão Territorial não andou bem. Nós queremos a abolição até final da legislatura e mesmo assim já estamos a ser benevolentes porque cada ano que passa é pior. E na situação de pandemia consideramos que seria de bom senso e de racionalidade económica proceder-se à suspensão do pagamento”, declarou Luís Guerra à RCB.


Notícia publicada no portal Interior do Avesso.

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