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Comunidades ciganas enfrentam pandemia sem água corrente

Mais de três mil famílias ciganas vivem em tendas, barracas ou alojamento móvel. Sem água canalizada, corrente elétrica, saneamento básico, recolha de lixo, pelo menos 15 mil pessoas estão abandonadas à sua sorte.
Foto de António Pedrosa/ Prémio Fotojornalismo Estação Imagem - 2012/ LUSA.

Bruno Gonçalves, vice-presidente da Letras Nómadas, citado pelo jornal Público, alerta para estas comunidades, impossibilitadas de cumprir as recomendações da Direção Geral de Saúde (DGS) e de se protegerem contra a Covid-19. E adverte também para o agravamento da pobreza, mediante o encerramento de feiras e mercados e a ausência de refeições escolares para as crianças.

Já Maria José Casa-Nova, coordenadora do Observatório das Comunidades Ciganas, destaca que as pessoas que vivem em itinerância “estão numa situação ainda mais precária”. “Vão sendo expulsas dos locais. Se eventualmente alguma for portadora do vírus, temos uma situação muito delicada”, explica.

E já existem casos concretos. Um grupo de 67 foi forçado a sair do Estado Espanhol na sexta-feira e tentou acampar num olival próximo de Vila Boim, Elvas. Novamente expulso no domingo, o grupo dividiu-se: uma parte deslocou-se para as proximidades de Estremoz e outra para a zona de Vila Viçosa. Sem acesso a meios de comunicação e informáticos, nem sequer sabiam da existência de uma pandemia. Com a denúncia da associação Sílaba Dinâmica, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) acabou por intervir. Estão de quarentena num espaço móvel nas imediações da Barragem de Monte Novo.

Especializada em Educação, Maria José Casa-Nova dá ainda conta de que muitas das crianças ciganas não têm acesso a computador e Internet e que, por isso, não podem acompanhar atividades letivas online.

Cerca de 300 pessoas da comunidade cigana de Beja em pânico

Pior que a chuva, a lama e o frio no Inverno ou o calor e o pó no Verão. Pior que a falta de água, a ausência de condições de higiene e a partilha do espaço com cobras e ratos. Pior que tudo isto é o medo, O pânico já se instalou sobre as famílias que habitam o bairro das Pedreiras em Beja, confinadas a barracas e casas superpovoadas. Esta é a mais numerosa e concentrada comunidade cigana de Portugal.

Inclusive, cerca de 300 pessoas desta comunidade estão concentradas numa área com perto de meio hectare onde falta água e condições de higiene e o espaço é partilhado com cobras e ratos. Acresce que o estado das barracas se degradou com o mau tempo que assolou Beja no final da última semana.

A comunidade tem sido acompanhada pelo presidente da Associação de Mediadores Ciganos (ACM), Prudêncio Canhoto, que denuncia a falta de apoios e de esclarecimento.

“Ninguém diz nada e ninguém ajuda a comunidade cigana”, sinaliza, avançando que “as pessoas estão em pânico”. De acordo com Prudêncio Canhoto, “nem os técnicos da Proteção Civil se deslocaram ao bairro em ações de sensibilização ou de esclarecimento. Não há alertas sequer.”

No bairro das Pedreiras vivem cerca de 800 adultos. Em idade escolar, o bairro concentra mais de uma centena de crianças, sem contar com as que estão no escalão etário até aos seis anos. Cerca de 60 são adolescentes entre os 15 e os 18 anos.

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