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“Casos sociais” nos hospitais estão a ser encaminhados para lares

Para libertar as camas necessárias para os internamentos com covid-19, vários hospitais viram reduzidos a metade os casos que permaneciam no hospital por falta de resposta da Segurança Social. Mas só na Grande Lisboa continuam a existir 130 pessoas nesta situação.
“Casos sociais” nos hospitais estão a ser encaminhados para lares
Fotografia de Paulete Matos.

A Segurança Social está a retirar dos hospitais as pessoas que já tiveram alta clínica mas que continuavam internadas por falta de resposta extra-hospitalar. Estas pessoas estão a ser encaminhadas maioritariamente para lares e unidades de cuidados continuados.

No passado mês de maio, estes casos, chamados de “internamentos sociais”, ocupavam 1.500 camas hospitalares em todo o país - cerca de 8,7% do total de internamentos. Na sua maioria são pessoas idosas e sem rede de apoio familiar. A notícia é da edição de hoje do jornal Público, que cita os dados da  Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

A situação destas pessoas, que em muitos casos se arrastava durante meses ou mesmo anos, já era urgente devido ao seu impacto social e na saúde destes próprios utentes - mais vulneráveis a infeções hospitalares - e representava uma pesada fatura para o Serviço Nacional de Saúde.

Mas agora com a chegada da pandemia tornou-se ainda mais necessário vagar camas e arranjar uma solução para estes “internamentos sociais”. 

Por isso, o Instituto de Segurança Social adoptou “medidas extraordinárias” para retirar estas pessoas dos hospitais e integrá-los em lares e estruturas da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. 

O processo tem sido levado a cabo por uma equipa nacional que combina elementos dos ministérios da Saúde e da Segurança Social responsável por definir circuitos e agilizar procedimentos”, de forma a conseguir aumentar os lugares disponíveis para estas pessoas, nomeadamente ao nível dos cuidados continuados de saúde mental.

Só a região Administração Regional de Saúde de Lisboa, nos seus 13 hospitais, passou esta semana para “apenas” 130 internamentos sociais. “A grande maioria são pessoas dependentes, sendo que 63 (48,5%) do total têm 80 ou mais anos”, explicou a ARS.

No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, saíram num único dia dez destes utentes. Ainda assim, o hospital continua a aguardar resposta para 15 outros casos. Já no Hospital Amadora-Sintra, que serve um universo de 600 mil utentes, subsistem oito pessoas “à espera de uma resposta”, mas fonte daquele hospital asseverou ao Público que “a situação já foi muito pior”. “Com a pressão da pandemia tem havido mais articulação no sentido de aliviar estas camas”, declarou. No Porto, no Hospital de São João (HSJ), 16 pessoas que permaneciam no hospital desde há mais de um ano foram há duas semanas integradas num lar.

“Ficámos com outras 16 pessoas, uma das quais está à guarda do hospital desde 2018, à espera de uma solução”, precisou a directora do serviço social do HSJ, Alexandra Duarte.

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