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Camponeses indianos protestam contra desregulamentação de Modi

As auto-estradas à volta de Nova Deli estão bloqueadas contra o empobrecimento e a baixa de preços de produtos agrícolas.
Manifestantes contra a desregulamentação dos mercados agrícolas são impedidos de entrar em Nova Delí. Novembro de 2020. Foto de RAJAT GUPTA/EPA/Lusa.
Manifestantes contra a desregulamentação dos mercados agrícolas são impedidos de entrar em Nova Delí. Novembro de 2020. Foto de RAJAT GUPTA/EPA/Lusa.

Milhares de camponeses indianos estão a bloquear algumas das principais auto-estradas à volta de Nova Deli e em vários outros pontos do país como forma de protesto contra a política de desregulamentação dos mercados agrícolas empreendida pelo primeiro-ministro nacionalista Narendra Modi.

Muitos destes camponeses, vindos dos estados Haryana e Punjab, dirigiram-se à região da capital na passada sexta-feira. Foram impedidos de entrar em Nova Deli pela polícia que usou gás lacrimogéneo, canhões de água e bastonadas. Não desarmaram o protesto e ficaram a bloquear as auto-estradas circundantes. Aí decidiram ficar depois de, este domingo, rejeitarem a proposta governamental de iniciar conversações se acabassem com os bloqueios.

Os primeiros efeitos do protesto começam já a sentir-se na capital, com o aumento de preços dos produtos frescos e com várias ligações de autocarro afetadas.

Jaskaran Singh, dirigente do Sindicato Kisan, diz desconfiar da vontade de diálogo do governo e alega que as três leis de Modi fazem com que o governo deixe de comprar cereais e arroz a preços garantidos, deixando-os à mercê das grandes empresas que irão especular com os preços das colheitas. A descida de preços implicará mais desemprego, maior endividamento, um empobrecimento ainda maior para muitos.

Modi, por seu turno, defende que “estas reformas não apenas servem para desalgemar os nossos camponeses como também lhes dão novos direitos e oportunidades”.

A agricultura corresponde a 15% do PIB da Índia mas emprega metade da sua população. O setor vive uma crise profunda, dado não só o aumento das dívidas dos agricultores mas também a seca e as más colheitas de 2019. A dimensão do problema é ilustrada num número: morrem por suicídio por dia no país 28 pessoas que dependem da agricultura para a sua subsistência.

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