Com a decisão tomada esta quinta-feira, Lisboa vai juntar-se aos mais de 120 programas de consumo vigiado em funcionamento em cidades europeias, norte-americanas e canadianas. A medida segue-se à criação de uma unidade móvel que permite o consumo vigiado de substâncias ilícitas desde abril nas freguesias de Arroios e Beato, com boa aceitação por parte dos moradores e grande adesão dos utilizadores de drogas.
“Continuam a ser necessários passos intermédios entre os consumos na rua e as respostas mais estruturadas. São abordagens eficazes, que permitem o contacto e o vínculo com pessoas muito fragilizadas em termos sociais e de saúde. Ao criarmos acesso à rede de serviços estamos a melhorar a sua situação e a de toda a cidade, em termos de saúde pública, direitos humanos, coesão social e vida das comunidades”, afirmou o vereador bloquista Manuel Grilo, congratulando-se pela aprovação desta proposta que foi uma das bandeiras de campanha do Bloco de Esquerda na área da redução de riscos.
Segundo a nota emitida pelo gabinete do vereador do Bloco, No Programa de Consumo Vigiado, o consumo de substâncias ilícitas será realizado sob supervisão de profissionais treinados para atuar em caso de situações de sobredosagem e a substância será trazida pelo próprio utente do Programa. A implementação do projeto que viu agora assegurado o seu financiamento cabe a uma Comissão de Acompanhamento formada pela Câmara Municipal de Lisboa, SICAD e ARSLVT, com a participação do Observatório Europeu de Drogas como observador e o envolvimento das Juntas de Freguesia e da PSP.
Para além da sala de consumo vigiado a instalar num equipamento de saúde já existente próximo da Avenida de Ceuta e que deverá entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2020, o Serviço de Apoio Integrado na área das Dependências terá respostas na área social e na área da saúde para pessoas que usam drogas. O seu público-alvo são consumidores em situação muito vulnerável, como a população sem abrigo, com situação de saúde muito fragilizada e inexistente ligação aos cuidados de saúde. O serviço vai oferecer apoio médico e psicossocial, referenciação para tratamento ou outros serviços, para além de informação e higiene.
A gestão do espaço foi atribuída à Ares do Pinhal, entidade que trabalha em Lisboa na área das dependências desde 1998, criando a primeira resposta da sociedade civil na área das adições em Portugal.