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Bloco defende investimento para "refazer toda a política de cuidados no país”

Em visita a uma instituição de cuidado de adultos com deficiência, em Almeida, Catarina Martins diz o Bloco está “estupefacto” com “a falta de projeto do governo para o que vai acontecer agora” no setor dos cuidados.
Catarina Martins visita Associação Sócio Terapêutica de Almeida, Agosto de 2020. Foto de Carlos Couto.
Catarina Martins visita Associação Sócio Terapêutica de Almeida, Agosto de 2020. Foto de Carlos Couto.

Na manhã desta terça-feira, Catarina Martins visitou a Associação Sócio Terapêutica de Almeida, uma instituição dedicada aos cuidados e ao apoio a adultos com deficiência. Sobre esta experiência garantiu que estas “são as soluções com as quais temos de aprender” porque se “garante a emancipação das pessoas”, ainda para mais “numa zona do país que tem vindo a ser despovoada e que de facto tem conseguido trazer aqui gente e criar aqui emprego”.

A coordenadora do Bloco quis pegar no bom exemplo para realçar que “é muito importante que se compreenda que cuidar de quem precisa de cuidados, de quem tem algum tipo de dependência, não é armazenar pessoas, é cuidá-las, no respeito pela sua individualidade, pela sua autonomia, pela sua emancipação”. E também para dar a entender “que a despesa que fazemos enquanto país na área dos cuidados não é deitar dinheiro fora. É investimento e desenvolvimento.” Portanto, na discussão sobre os investimentos que o país vai fazer no futuro breve, o Bloco quer garantir que há recursos para tratar da área dos cuidados.

Com o país político a discutir as declarações da Ministra do Trabalho e da Solidariedade, Ana Mendes Godinho, sobre o que se passou no lar de Reguengos de Monsaraz, Catarina Martins classificou-as como “certamente infelizes porque não se devem relativizar as tragédias que aconteceram, ainda que noutros sítios tenha corrido muito bem”. Mas o Bloco diz que com o que está “estupefacto” é com “a falta de projeto do governo para o que é que vai acontecer agora”, considerando “muito grave” não estar a preparar uma alteração de procedimentos na área.

Uma vez que não se pode “fechar os olhos aos problemas que existem, que são reais e que são verdadeiras tragédias no nosso país”, o partido avança com um conjunto de prioridades para o setor dos cuidados. Uma delas diz respeito aos trabalhadores: “é preciso já qualificar os trabalhadores desta área que têm poucas qualificações, salários muito baixos e más condições de trabalho”. Outra é necessidade de investimento que “deve servir para refazermos toda a política de cuidados em Portugal, garantindo que as pessoas que precisam de apoio não são fechadas em instituições para serem esquecidas mas pelo contrário são cuidadas com a dignidade que merecem”.

Para além disso, o modelo de fiscalização tem de mudar porque “é preciso mais exigência” e é preciso articular Ministério da Saúde e da Segurança, cada um com algumas responsabilidades de fiscalização o que faz com que “na verdade, ninguém trate de nada” e que “as próprias instituições sejam desresponsabilizadas quando não cumprem os procedimentos que são essenciais”.

Faltam da parte do PS respostas essenciais

Questionada sobre as declarações de Carlos César sobre entendimentos entre o PS e os partidos à sua esquerda, a dirigente bloquista reforçou que “faltam da parte do Partido Socialista respostas essenciais”.

Tratou então de enunciar algumas das questões para as quais o Partido Socialista “não teve ainda uma palavra” e o Bloco manifestou “toda a disponibilidade” para construir “soluções que possam ser pelo país” em áreas como a saúde, os cuidados, a escola, o sistema financeiro e a política laboral.

Por exemplo, questionou: “vamos reforçar o Serviço Nacional de Saúde de uma forma séria para que responda a todo o país fazendo as contratações de que precisa em vez de andar a contratar de quatro em quatro meses, o que não permite nem ao SNS organizar-se nem aos profissionais de saúde dedicarem-lhe a sua vida?” “Vamos alterar as regras do trabalho para proteger o salário, para proteger o emprego, para que o apoio que venha para a economia não seja para uns poucos mas sim para garantir salário, emprego a quem trabalha?”

“Vamos acabar com os desmandos do Novo Banco” questionou ainda rematando que “é preciso acabar com a sangria do sistema financeiro, nomeadamente do Novo Banco, aos recursos públicos” e “exigir muita firmeza quando está em causa os dinheiros públicos”.

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