Aumenta a desflorestação na Amazónia

10 de May 2020 - 14:27

No passado mês de abril, os níveis de desflorestação ilegal da Amazónia brasileira cresceram em 63,75%, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados são do satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil.

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Imagem aérea de queimadas na Área de Proteção Ambiental Jamanxim na cidade de Novo Progresso, Estado do Pará. (Foto Victor Moriyama Greenpeace)

No mês de abril houve sinais de alerta em vários estados brasileiros, como o Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, que correspondem a 405,6 quilómetros quadrados, segundo imagens em tempo real do sistema Deter-B.

Ao mesmo tempo que existem medidas de isolamento social e até de confinamento, como no caso de Belém e São Luís, capitais dos estados do Pará e Maranhão, como forma de conter a propagação do novo coronavírus, há também um aumento da desflorestação na Amazónia.

Nos meses de abril de anos transatos houve também elevados níveis de desflorestação, com destaque para o mês de abril de 2018 houve um recorde com 489,7 quilómetros quadrados de floresta ardida.

No mês passado, o estado de Mato Grosso foi o que registou maior desflorestação com 144,58 quilómetros quadrados, ou seja, perto de 35% da área total ardida.

Só na passada quinta-feira é que Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, autorizou enviar as Forças Armadas para ajudar a prevenir os incêndios e assim evitar a desflorestação da Amazónia em território brasileiro.

Este decreto limita o combate do exército à destruição da floresta amazónica entre o dia 11 de maio e o dia 10 de julho, tendo sido publicado no Diário Oficial da União. As regiões de fronteira, as terras indígenas e as unidades federais de conservação ambiental poderão agora ter a atuação das forças armadas.

Entre o mês de janeiro e o de março do presente ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro estima uma perda de cobertura vegetal da Amazónia brasileira de 796,08 quilómetros quadrados. No mesmo período do ano de 2019 a desflorestação foi de 525,63 quilómetros quadrados.

No último ano, a desflorestação da região da Amazónia teve os níveis mais altos desde 2016, tendo aumentado 85%, para 9.165,6 quilómetros quadrados.

Também no verão passado a região da Amazónia foi bastante afetada por incêndios entre junho e agosto, tendo obrigado o Governo a enviar as Forças Armadas.

A enorme destruição da Amazónia causou forte indignação na comunidade internacional e nas organizações não governamentais, que rejeitavam o discurso anti-ambiental de Jair Bolsonaro.

A Amazónia tem a maior biodiversidade registada numa área do planeta, sendo a maior floresta tropical de todo o mundo, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).