80% dos estudantes do Porto sofreram ansiedade ou depressão nos últimos meses

26 de June 2020 - 14:35

Para além do aumento do estado da ansiedade ou depressão” nos estudantes devido à pandemia da covid-19, o inquérito promovido pela Federação Académica do Porto revela que 27% dos alunos afirmam não ter recursos para as aulas à distância.

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Estudantes da Universidade de Porto
Foto de Wry2010 | Flickr

A Federação Académica do Porto desenvolveu um inquérito entre 1 a 8 de junho a 2.217 estudantes do ensino superior público, privado e ensino cooperativo para conhecer melhor o impacto das medidas de combate à pandemia na saúde mental dos alunos. 

Segundo a agência Lusa, o inquérito mostra que quase 80% dos estudantes sofreu um “aumento do estado de ansiedade, depressão ou outro e só 36% é que disseram que tiveram acesso a soluções de ajuda em tempo útil e acessíveis", informou o presidente da Federação. Salientou ainda que “64% dos estudantes precisariam de apoio durante a pandemia”, mas não teriam “acesso a uma solução rápida e acessível”.

Com o novo formato das aulas à distância por causa da pandemia da covid-19, o inquérito indicou que 27% dos estudantes não têm recursos para acompanhar este processo. Estes dados preocupam a Federação Académica “sobretudo se o modelo do ensino à distância tiver de continuar no início de setembro, com o arranque do novo ano letivo”. 53% dos inquiridos bolseiros informou que o seu agregado familiar perdeu rendimentos durante a pandemia e também mais de metade dos estudantes bolseiros não residentes no Porto diz ter dificuldades em pagar a renda.

Para o presidente da FAP, “são números preocupantes e merecem duas leituras. Se por um lado significam que pode existir um aumento do abandono entre aqueles que já se encontram dentro do sistema de ensino superior, por outro pode fazer-nos adivinhar que alunos do ensino secundário que se encontrem nas mesmas condições podem nem sequer concorrer ao ensino superior. Se nada for feito, a pandemia estará a destruir todos os esforços que foram feitos ao longo de muitos anos para alargar a base social de recrutamento para o ensino superior”.