Turismo: Cidade e Gentrificação

A deficiente regulação do setor do Turismo, a precarização das relações laborais e a priorização dos grandes negócios em detrimento dos direitos dos residentes têm tido consequências devastadoras. Dossier organizado por Mariana Carneiro.

08 de outubro 2016 - 22:00
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Neste dossier, publicamos um artigo de Luís Mendes no qual o autor defende que a gentrificação "é uma questão ideológica, política e é o processo de mudança urbana que melhor materializa a luta de classes no palco cidade na/da contemporaneidade". 

"A gentrificação é um produto do urbanismo neoliberal", destaca Rita Silva no seu texto, apontando que "o urbanismo que prescinde do planeamento e regula a favor do mercado, provoca a expulsão das classes mais vulneráveis e a sua substituição por classes de maior rendimento".

Fabiana Pavel fala sobre o papel das políticas da Câmara Municipal de Lisboa na turistificação da cidade e sobre a tendência a "converter-se as ações de reabilitação em processos de renovação e gentrificação". 

No artigo 'Para onde caminha a Lisboa cultural?', Marluci Menezes defende que importa "cuidar da sustentabilidade urbana enquanto lógica assente em três pilares – sociedade, ambiente e economia".

Já Sofia Neuparth descreve o processo de "plastificação" de Lisboa e assinala a forma como o c.e.m - centro em movimento tem vindo "a acompanhar esta galopada de gentrificação e turistificação centímetro a centímetro".

Em entrevista ao Esquerda.net, Mário Alves, especialista em Mobilidade e Transportes, defendeu que o turismo pode e deve ser potenciado, mas também enquadrado e regulado e até como forma de fonte de receita fiscal para contribuir para satisfazer necessidades básicas dos cidadãos das nossas cidades.

"A segunda gentrificação de Lisboa" é o título do artigo de Pedro Bingre do Amaral. Sublinhando que "pelos olhos de quem habite ou deseje habitar um centro histórico", a gentrificação "é uma arbitrariedade esmagadora", o especialista em ordenamento do território assinala os meios a que é possível recorrer para mitigar os efeitos deste processo.

Em entrevista ao Esquerda.net, Ricardo Robles, deputado municipal do Bloco, defende que o "modelo de desenvolvimento turístico de Lisboa é totalmente insustentável” e apresenta propostas para que o turismo "sobreviva a longo prazo e não conflitue com a cidade e com quem nela quer viver". 

Romão Lavadinho, presidente da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, alerta para as consequências do crescimento descontrolado do Alojamento Local e a necessidade de "regular convenientemente a atividade".

Neste dossier, incluímos ainda um vídeo e um artigo sobre a gentrificação na capital, bem como divulgamos a opinião de cidadãos sobre a temática, recolhida por Pedro Ferreira em vários pontos da cidade de Lisboa.

Denunciando as "práticas abusivas e uma informalidade constante" no turismo, Adriano Campos avança com propostas para combater a precariedade no setor.

Do Porto chega-nos o testemunho de Susana Constante Pereira e Hugo Monteiro, que descrevem como se está a encher a cidade de vazio, bem como de José Castro, membro da Assembleia Municipal do Porto eleito pelo Bloco, que defende a necessidade de adotar um conjunto de medidas de proteção e valorização do centro histórico da cidade.

O Esquerda.net expõe o caso do Bairro Gótico, em Barcelona, paradigma da turistificação da cidade, e as medidas que estão a ser adotadas na luta contra a gentrificação pela autarca Ada Colau. São ainda assinaladas as experiências de outras cidades como Berlim, Paris e São Francisco.

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