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Revolução no Egipto

Ao fim de 18 dias de mobilização, de combates de rua e de centenas de mortes, a revolução egípcia teve a sua primeira grande vitória com a queda de Mubarak. Este levante sem precedentes na história do Egipto seguiu-se à vitória na Tunísia e muito provavelmente dará o sinal para a queda de outras ditaduras no mundo árabe.
Manifestantes comemoram queda da ditadura de Mubarak. Foto do staff do Globalgrind

Neste dossier juntamos artigos que ajudem o leitor a compreender o contexto dos acontecimentos. Tariq Ali compara os acontecimentos com as revoluções europeias de 1848, e distingue-os dos do Leste europeu em 1989. Slavoj Žižek defende que a insurreição egípcia foi universal: identificámo-nos com ela, quase de imediato, em qualquer parte do mundo. Hossam el-Hamalawy, jornalista e blogger egípcio, destaca o papel da juventude e do movimento sindical nos protestos. No calor das greves recentes, foi fundada uma Federação de Sindicatos Independentes. Richard Dreyfuss informa quem são as principais organizações da oposição e Gilbert Achcar sustenta que “há condições ideais para a esquerda reconstruir-se como alternativa”. Ian Johnson mostra como a Irmandade Muçulmana tem uma longa história de contactos com Washington e Ali Abunimah analisa as implicações para a Palestina do levante egípcio. De novo, Slavoj Žižek diz que a reacção ocidental frequentemente demonstra hipocrisia e cinismo e Noam Chomsky afirma que o mundo árabe está em chamas. Concluímos com Dez conclusões a que chegou o fórum dos docentes de Direito do Cairo.

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Resto dossier

Revolução no Egipto

Ao fim de 18 dias de mobilização, de combates de rua e de centenas de mortes, a revolução egípcia teve a sua primeira grande vitória com a queda de Mubarak. Este levante sem precedentes na história do Egipto seguiu-se à vitória na Tunísia e muito provavelmente dará o sinal para a queda de outras ditaduras no mundo árabe.

O 1848 árabe: os déspotas cambaleiam e caem

Estamos a ser testemunhas de uma onda de levantamentos nacional-democráticos que lembram mais as agitações de 1848 – contra o Czar, o Imperador e os seus colaboradores – que varreram a Europa e foram presságios de posteriores turbulências. Este é o 1848 árabe.

Para os egípcios este é o milagre da Praça Tahrir

Esta insurreição foi universal: foi possível que nos identificássemos, quase de imediato, em qualquer parte do mundo, com esta revolta; ou seja, foi possível perceber imediatamente o que estava em causa sem ser necessária uma análise cultural da sociedade egípcia. Artigo de Slavoj Žižek, escrito na véspera da queda de Mubarak, para a edição electrónica guardian.co.uk

Desde 2006, Egipto vive a maior e mais sustentada onda grevista

Hossam el-Hamalawy, jornalista e blogger do site 3arabawy, foi entrevistado no início da mobilização por Mark LeVine, professor da Universidade da Califórnia. Na entrevista, Hossam destaca o papelda juventude e do movimento sindical nos protestos e a importância da criação recente de sindicatos independentes.

Sindicatos e organizações independentes criam uma Federação de Sindicatos Independentes

Os operários e empregados egípcios recusam que a “governamental” Federação Geral dos Sindicatos os represente e fale em seu nome. Por isso os sindicatos e organizações independentes declaram a fundação de uma Federação dos Sindicatos Independentes do Egipto.

Quem é a oposição?

Uma panóplia de activistas e grupos de oposição fizeram o assalto à ditadura de Hosni Mubarak. Por Robert Dreyfuss, The Guardian

“Há condições ideais para a esquerda reconstruir-se como alternativa”

Extractos de uma entrevista de Faruq Sulehnia a Gilbert Achcar, professor de estudos sobre o desenvolvimento e relações internacionais na Escola de Estudos Orientais e Africanos (EEOA) de Londres. Realizada ainda antes da queda de Mubarak.

50 anos de história secreta: Washington e a Irmandade Muçulmana

É pouco conhecida a longa história dos contactos entre governos dos EUA e a Irmandade Muçulmana. Mas a cooperação durou décadas. Por Ian Johnson, New York Review of Books

A insurreição no Egipto e as suas implicações para a Palestina

Sem Mubarak, Israel não tem praticamente mais amigos no Médio Oriente; restam-lhe dois aliados estratégicos: a Jordânia e a Autoridade Palestiniana, e ambos estão abalados. Por Ali Abunimah, The Eletronic Intifada

Por que temer o espírito revolucionário árabe?

A reacção ocidental aos levantamentos no Egipto e na Tunísia frequentemente demonstra hipocrisia e cinismo. Artigo de Slavoj Žižek

“O mundo árabe está em chamas”

Segundo as sondagens, a maioria dos árabes considera que os EUA e Israel são as principais ameaças. Washington marcha vigorosamente para o desastre.

Declaração da Faculdade de Direito da Universidade do Cairo

Dez conclusões a que chegou o fórum dos docentes de Direito do Cairo, que deu completo apoio à revolução de 25 de Janeiro, “nascida da limpa e nunca corrompida juventude egípcia”.